Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
publicidade
publicidade
publicidade

Caminhos de Rios

Crônicas de Domingo - 14.04.2019


14/04/2019 às 00:00

Essa semana fiquei pensando em quão grande é o Amazonas. Enquanto em Manaus nos vemos ameaçados pela perspectiva assombrosa de uma enchente recorde em 2019, na área do Médio Rio Negro, mais precisamente em Barcelos, distante 401 km da capital em linha reta, a seca é a tônica. Causada pelo El Niño, com o aquecimento das águas do oceano Pacífico e a mudança do regime de chuvas, o fenômeno atinge também Santa Izabel e São Gabriel, retardando o início da “cheia”. Por lá, a temporada de pesca desportiva já encerrou, mas a pesca comercial ilegal continua, matando indiscriminadamente as matrizes dos tucunarés açus, que levam uma infinidade de amantes do “catch and release” à região.
Distante dali 535 km, um outro rio também serve de paraíso para a pesca desportiva: o Abacaxis, afluente da margem direita do rio Amazonas, entre o Madeira e o Tapajós, em Nova Olinda do Norte. Lá a temporada de pesca desportiva vai de julho a novembro. E os barcos dividem território com narcotraficantes e garimpeiros. A pergunta é: por quanto tempo o meio ambiente resistirá ao uso do mercúrio no garimpo de ouro? É razoável se dizer que a pesca não terá uma vida longa naquela região. Nos últimos anos há um lobby enorme pela liberação de mais áreas para a mineração na Amazônia e, em especial no Amazonas, tanto a mineração em escala industrial, como a bauxita e o manganês, quando a licença ao garimpo. Mas quem ganhará com isso?
Seguindo nossa viagem, 163 km em linha reta chegamos a Maués, onde a tônica para o turismo não é a pesca, mas a presença dos povos indígenas e do cultivo do guaraná. Maués tem uma concentração expressiva de idosos, inclusive centenários, em sua população, o que atesta a longevidade de alguma forma proporcionada por aquele ambiente. Mas também ali os rios Amaná e Parauari têm garimpo em plena atividade clandestina, com impactos irreversíveis. Há narrativas de mudança da cor da água naqueles leitos. No Amaná se estima hoje a presença de quatro mil homens trabalhando, enquanto que o Parauari possivelmente concentre cerca de mil garimpeiros.
Há indícios de extração de ouro também em terras indígenas, no Rio Urupadí, área habitada pelos Saterê-Mawè. A Polícia Federal já fez operações no local, encerrou os garimpos, mas tudo voltou a ser como era antes. Em Maués há alguns pequenos compradores de ouro. A maior parte do metal extraído no sul do município vai pra Itaituba, no Pará. Especula-se sobre a ligação da atividade do garimpo com o narcotráfico. E por falar em garimpo, já ia me esquecendo: lá em São Gabriel, a 1.1.02 km, onde falamos sobre seca, pesca desportiva e pesca comercial predatória, há registros de garimpo em terras indígenas.
O Amazonas é enorme e seus desafios são maiores ainda! #Pensa

publicidade
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.