Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Campanha?

Artigos de Domingo - 26 de Fevereiro de 2017


26/02/2017 às 00:00

Há alguns anos as vitrines e mobiliários urbanos do Vieiralves sofreram um quebra-quebra durante a madrugada, justamente na época em que o bairro despontava como uma nova área comercial da cidade. Mas devido às câmeras de vigilância, a polícia rapidamente descobriu que não se tratava de falta de segurança pública. A ação foi movida pelo filho de um determinado político, que ambicionava o cargo de secretário de segurança. O tempo tornou o episódio público e foi revelado o envolvimento de pai e filho com tráfico de drogas e assassinatos.

Aquele quebra-quebra era simplesmente uma campanha pró cargo de secretário. Gerar a sensação de insegurança na população, para que um “justiceiro” fosse apontado como o “salvador da pátria”. Esse episódio tem vindo constantemente à minha mente. Vivemos um tempo estranho, que alcançou um de seus pontos máximos na última quinta-feira. Depois de quatro ônibus serem incendiados, e outro ser assaltado, os empresários do transporte coletivo urbano resolveram recolher todos os veículos às garagens, deixando a população literalmente à deriva.

Milhares de pessoas ficaram nas ruas, sem ter como voltar pra casa. Quatro ônibus danificados seriam motivo suficiente? Certamente que não. Assim como também os donos das empresas não têm a autoridade necessária para tomar a decisão de maneira unilateral. O serviço é uma concessão pública e, portanto, qualquer atitude  teria que ser compartilhada com o poder concedente: obrigatoriamente a Prefeitura deveria ter sido consultada. Mas acabou sendo de outro jeito, a população se revoltou, com razão, e depredou e incendiou outros coletivos.

Eu sinceramente gostaria de acreditar que os atentados aos primeiros ônibus, que provocaram recolhimento da frota às garagens, fosse obra do acaso, uma infeliz coincidência. Mas eu não acredito. A teoria conspiratória assombra Manaus com a proximidade das eleições a Governador. Nada, nessas condições, é por acaso. Primeiro o terror causado pelas falsas mensagens de arrastões, sistematicamente distribuídas pelos aplicativos de mensagem. Agora, o caos no transporte coletivo.

Duas paralisações da frota de ônibus do transporte coletivo e dois aumentos de tarifa em menos de 30 dias. Agora esse recolhimento que deixou os cidadãos na rua, por nada, ou por muito pouco. Sim, nada disso é de graça. Novamente, a velha técnica de gerar a sensação de insegurança na população, para que um “justiceiro” seja apontado como o “salvador da pátria”. Teremos eleição ao governo em 2018. E há quem aposte na teoria “quanto pior, melhor”, não importando quem seja atingido. E os cidadãos estão a mercê de tudo isso! Tenho medo de pensar qual será a próxima jogada nesse tabuleiro! #Pensa


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