Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

Começar por onde?

Crônicas de Domingo - 5 de outubro de 2019


05/10/2019 às 18:30

A semana passou corrida e estive ausente de Manaus até a última quinta-feira. Entre uma viagem e outra, passei pelo campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Fundão, na Ilha do Governador, e dei de cara com um cemitério de prédios abandonados, em ruínas, alguns deles obras inacabadas já em deterioração. Algo que não é deste ano, nem de dois anos atrás...

Abro a TV no telejornal carioca e deparo com a notícia que os letreiros de ônibus de algumas linhas mostravam que passagem custaria R$ 3,50 para quem pagasse em dinheiro, quando a tarifa normal é de R$ 4,05, algo totalmente ilegal. Na capital carioca, apesar do metrô, do BRT, do Veículo Leve sobre Trilhos, dos trens, o transporte público de massa parece ineficaz e em crise.

No passeio pelas calçadas de Copacabana, cada quarteirão parece ter o seu núcleo de moradores de rua. Uma situação que salta aos olhos de tão evidente e triste que é. Paro para um café e acabo ouvindo a conversa de dois residentes, que comentavam sobre a paralisação dos elevadores e das escadas rolantes do Corcovado, por mais de um mês, no primeiro semestre do ano. O motivo foi a falta de manutenção. A única possibilidade de acesso à base do Cristo Redentor se restringiu a uma escada de quase 200 degraus, inviável para pessoas com mobilidade reduzida.

A gente começa a juntar tudo e tem a impressão de que nada está muito certo e pensa: por onde começar? Por curiosidade fui à internet para saber a capacidade de investimento carioca e descobri que o estado compromete 62,69% da receita corrente líquida (da arrecadação) com pagamento da folha de servidores ativos e inativos. E isso não inclui os terceirizados. Sobra muito pouco para qualquer tipo de investimento.

Aliás, o documento que encontrei Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais, da Secretaria do Tesouro Nacional, lançado no último agosto, dá conta de que 12 estados descumpriram o limite de gastos com pessoal estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2018. Tocantins (79,22%), Minas Gerais (78,13%), Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Rio Grande Norte, Acre, Goiás, Piauí, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro e Maranhão empregam mais de 60% da arrecadação com folha.

O Amazonas aparece na 23ª posição entre as 27 unidades da federação, abaixo de 60%, com algo em torno de 54,37% e 55,84%. Temos um sinal de alerta ligado para economizar e para estabelecer prioridades. A gente cobra investimento em tudo! Salários, infraestrutura, inclusão social, etc! Mas de onde o dinheiro? Fica algo meio denuncista! Precisamos ter cuidado! Há que sermos estratégicos, afinal quem tudo quer nada tem! Mas começar por onde? #Pensa


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