Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

Crônicas de Domingo - 4 de Agosto de 2019


03/08/2019 às 15:40

Desse um mês que fiquei de férias, sem escrever por aqui, o que mais me chamou atenção é que está todo mundo falando da gente! E nós não estamos dando um piu, como se não fosse conosco. Estratégia perigosa essa! Desmatamento da Amazônia, garimpo, terras indígenas e reforma tributária! Sim, tudo isso está diretamente relacionado à nossa vida, à nossa sobrevivência. Não dá para ignorar.

A começar pela polêmica do desmatamento da Amazônia. Tanto em relação ao aumento galopante dos índices, quanto ao questionamento sobre a forma de mensuração! Não vi parlamentares, formadores de opinião, caboclos de plantão, se pronunciarem de maneira consistente sobre o assunto! Alguns cientistas o fizeram, mas com pouquíssima ressonância.

O que mais me deixa surpreso é o silêncio dos militares, que têm uma história muito positiva com a Região, desde de Rondon à instituição da Zona Franca de Manaus, em relação à preservação ambiental. Entendo que seja dificílimo, quase impossível, se manifestar nesses tempos de cólera, em que “a terra é plana e o aquecimento global uma lorota”, mas calado é que não dá pra ficar!

Alguém tem, em nome da Amazônia, que assumir esse protagonismo. Num momento tão delicado, não dá para ignorar a importância estratégica do Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, que deve ter dados comprobatórios de sobra sobre os desastres ambientais. Aliás, desmatamento também se relaciona à questão da liberação da garimpagem! Alguém duvida dos danos irreversíveis causados pelo garimpo, tanto no ambiente natural, quanto no humano?

Se alguém faltou a essa aula, dá pra recorrer aos antecedentes pra constatar que nós só teremos a perder. A garimpagem tem na memória física da Amazônia o episódio de Serra Pelada. Quem ganhou com aquilo? Corram lá no Google, aqueles que não se lembram, ou não querem acreditar... pesquisem. Aliás, mineração é um tema sobremaneira polêmico. Nosso vizinho Pará que o diga, com uma atividade em escala industrial turbinando a economia e as finanças do estado, mas a preços altíssimos, que acabam questionando a validade, quando vista pela ótica da relação custo benefício.

E nesse mesmo balaio estão as terras indígenas e a reforma tributária. As invasões de garimpeiros a aldeias resultaram em morte recentemente e isso tende a se agravar. Os militares conhecem essa história de há muito. De outro lado, a reforma tributária fragiliza sobremaneira o modelo ZFM. Não vi, li ou assisti a ninguém defendendo qualquer tipo de medida que vá na contramão disso.
Com o Polo Industrial de Manaus fragilizado, abre-se espaço ao agronegócio e à mineração, modalidades que têm se mostrado devastadoras da Amazônia. Só são pops na propaganda. Voltemos ao exemplo do Pará, e pode incluir também Tocantins. É um círculo vicioso, tudo interligado: desmatamento, garimpagem, terras indígenas e reforma tributária. E o desastre logo ali, na nossa frente. E não tem ninguém falando nada!

As constantes enchentes e vazantes recordes, que se sucedem ano após ano, e a nuvem de fumaça que encobre Manaus há pelo menos três anos consecutivos, quando chega outubro, são provas cabais de que algo de muito errado está acontecendo. Não tenho dúvidas sobre a veracidade dos dados do INPE. Não dá pra ter. Que tal a gente começar a falar sobre isso? #Pensa


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