Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019

Cultura no Alfalto

Crônicas de Domingo - 19 de Agosto de 2018


18/08/2018 às 00:00

Semana passou arrastada, tediosa, repleta de mais-do-mesmo. A campanha eleitoral em rádio e TV ainda nem começou, mas o debate político, em todos os níveis, fede a mofo e é aborrecido, um verdadeiro museu de grandes novidades. Considero que dificilmente avançaremos, enquanto nação, com essas eleições. Espero sinceramente que possamos passar por elas sem grandes ferimentos, ou perdas. Uma sociedade em que as autoridades brigam pelo asfalto? Sim, olhamos para o chão e não para frente.
Preferi dar atenção aos 31 anos de morte de Carlos Drummond de Andrade e a como sua obra, tantos anos depois, permanece viçosa e pertinente. “Os homens pedem carne, fogo, sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto e escreve-se na pedra.”: versos publicados por ele em 1945, em pleno período do Estado Novo (governo autoritarista de Getúlio Vargas), mas que poderiam ter sido escritos ontem. Parece que nos vemos atormentados pelos mesmos problemas há décadas, mesmo que os costumes sejam outros, mesmo com toda a tecnologia.
Para salvar a semana, acabei sendo levado a conhecer uma pesquisa que mapeou o comportamento cultural de moradores de 12 metrópoles de todas as regiões do Brasil, inclusive Manaus. Como o brasileiro dos grandes centros urbanos, como os manauaras consomem cultura? O resultado do estudo da JLeiva Cultura & Esporte, com chancelas importantes como a do Ministério da Cultura e a da Fundação Roberto Marinho, tem uma série de aplicações práticas, inclusive ao planejamento de políticas públicas em educação, cultura e inclusão social. Pena que “cultura” é um tema que dificilmente será debatido no processo eleitoral, seja em nível nacional, seja na esfera estadual.
Na pesquisa, Manaus obteve um dos piores índices de participação em quase todas as atividades culturais. É a cidade em que os moradores menos frequentam shows (37%, nove pontos abaixo da média nacional) e teatros (23%, oito pontos a menos que as outras capitais); a segunda que menos vai a bibliotecas e a terceira que menos vai a museus. Outro dado interessante revelado pelo estudo: os manauaras dependem de gratuidade para frequentar eventos culturais (45% dos entrevistados, bem acima da média nacional). E o que é pior: quanto mais adultos ficamos, menos frequentamos atividades culturais.
Em meio a tudo isso, outro dado salta aos olhos: festas populares, como festas juninas, folclóricas e carnaval, são frequentadas por 40% da população local. Mas elas vivem na alça de mira dos “poupadores” do erário. Não gastar com cultura para que? Para gastar com asfalto? Como disse o poeta: “as leis não bastam, os lírios não nascem da lei”. #Pensa


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