Terça-feira, 07 de Julho de 2020

Desafios

Crônicas de Domingo - 22 de Julho de 2018


22/07/2018 às 00:00

Sexta-feira última abriu o prazo para a realização das convenções partidárias, para a escolha de candidatos às eleições de 2018. Até o dia 5 de agosto, ficaremos sabendo quem serão os possíveis novos governadores do Amazonas, mas as opções já se afiguram há muito. Não deveremos ter nada de muito novo como uma opção factível.

Serão políticos velhos ou “nem tão velhos assim” que deverão enfrentar os inúmeros desafios impostos pela responsabilidade de governar o estado. Os problemas postos a uma solução também não são nada recentes, mas alguns deles se renovaram, se repaginaram e ganharam força. E se tornaram ainda mais difíceis de resolver.

O mais aparente ao cidadão comum é a segurança pública. Se a visibilidade da capital carioca chama atenção e a coloca como epicentro da violência no país, a realidade das cidades das regiões Norte e Nordeste pode ser bem pior, embora silenciosa.

Os dados divulgados pelo último Atlas da Violência no Brasil, por município, colocam no topo das capitais mais violentas do território nacional duas cidades nortistas e três nordestinas. Belém, a mais violenta, registrou 77 homicídios para cada cem mil habitantes, quando a média nacional fica em 30 ocorrências. E Manaus está no retrovisor, logo após da líder, de Rio Branco – a outra nortista do TOP 5, e de Macapá.

A tríplice fronteira do Amazonas, Colômbia e Peru é a principal entrada do narcotráfico em terras brasileiras: estima-se que por lá passe um PIB de US$ 15 bilhões/ano. A criação do Ministério da Segurança Nacional não trouxe as respostas necessárias ao patrulhamento das fronteiras, solução simples e eficaz a um problema que vem desencadeando rebeliões e fugas em presídios, por conta da disputa territorial para aquela área.

Os frequentes roubos a ônibus em Manaus, a pirataria nos rios, os vários corpos decapitados e esquartejados, diariamente encontrados, numa capital que registrou 109 assassinatos em junho (3,5 mortes por dia): tudo isso passa por aquela fronteira.

Outro tema importante, menos percebido pelo senso comum, mas que diariamente faz sentir seus efeitos é o binômio “desenvolvimento e meio ambiente”. Áreas de exceção, como a Zona Franca de Manaus, têm sido contestadas por interesses empresariais, devido aos incentivos fiscais. Mas qual a alternativa para um desenvolvimento sustentável, que privilegie o meio ambiente?

Os desastres ambientais em Mariana (MG) e Barcarena (PA), apontam para o risco de uma das atividades que mais cresce economicamente no Brasil: a mineração. E que reúne um grande lobby para a liberação no Amazonas.

E se os danos provocados pela atividade extrativa em escala empresarial podem ser de responsabilidade das empresas concessionárias, como é possível resolver esse dilema quando se fala em garimpo? Inúmeros episódios mostram uma ação expressiva de garimpeiros em toda a Região Norte do país, inclusive em reservas naturais e em terras indígenas.

Mineração rima, na parceria, com exploração de madeira e agronegócio: tudo com uma aparência moderna, “profissa”, num discurso de que podem conviver harmonicamente com o meio ambiente. Na prática, os números mostram exatamente o contrário e os formatos trazem o novo desenho do latifúndio no Brasil.

Velhos problemas, agora vitaminados, que exigem novas e eficazes soluções. Teremos na disputa quem os possa enfrentar? #Pensa


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