Domingo, 05 de Julho de 2020

Desafios Antes e Depois

Estamos em meio a uma situação mundial perigosa e inimaginável. E para a qual precisamos de inteligência, sabedoria (sim, são duas coisas distintas) e estratégia.


18/04/2020 às 11:40

As semanas se arrastam... ou elas correm, já nem sei ao certo. O fato é que estamos em meio a uma situação mundial perigosa e inimaginável. E para a qual precisamos de inteligência, sabedoria (sim, são duas coisas distintas) e estratégia. Na última semana vi na web uma grande rede de varejo no Estado oferecendo venda de cestas básicas. Nunca foi supermercadista, se destaca por eletroeletrônicos, linha branca e móveis e tem lojas em praticamente todos os shoppings de Manaus. Surpreso, fui até a página digital do grupo para conferir: sim, era verdade, venda de cestas básicas sem a cobrança de taxa de entrega, além de máscaras protetoras.

De início, pensei: que senso de oportunidade preciso! Mas logo lembrei que eles estão fazendo lives constantes já há um tempo, sobre os mais diversos temas relacionados à qualidade de vida. E que naquele episódio de incêndio no Educandos, há um pouco mais de um ano, eles fizeram uma doação enorme de bens às famílias atingidas. Não é senso de oportunidade, é foco: nas tendências de mercado, nos cenários, no consumidor, no futuro. Por isso talvez a empresa tenha uma vida tão longeva no Amazonas e de boa rentabilidade.

Devem estar sofrendo, como todo o comércio está, mas estão se reinventado, dentro da filosofia que os norteia. Fiquei imaginando que medidas tomarão quando chegar ao fim o isolamento social. Vejo muita gente clamando pelo fim dele, mas me pergunto se estão se programando para esse retorno. Não vai dar para ser exatamente igual ao que era antes. Há novas realidades e questionamentos colocados sobre a mesa que todos nós, empresários ou consumidores, cidadãos, enfim, precisamos estar atentos.

Li em alguns estudos publicados que o novo coronavírus é um acelerador de futuros.  “Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, a gente está tendo que implementar no susto, em questão de meses’, diz Átila Lamarino, doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale. Sim, tivemos que replanejar e adequar situações “na tora”, para podermos sobreviver.

O uso da internet como meio para as relações de consumo, os serviços de entrega a domicílio - até aqueles prestados no domicílio, e nossas prioridades de compras: tudo isso está na pauta das reflexões. Além disso, o limitador de tempo, que prevê 18 meses – um ano e meio – para o surgimento de uma vacina, além das recentes descobertas de reinfecção pelo vírus, sabotam nossas esperanças de que tudo acabe logo. Voltaremos à rotina sobressaltados, temerosos, diferentes, num prazo ainda não sabido.

É certo que traremos novos valores subjetivos e até objetivos, a exemplo da valorização do Sistema Único de Saúde e da certeza da necessidade da existência de bancos públicos, como a Caixa e o BB. Locais lotados, restaurantes e lojas, ainda serão frequentados? Compras desnecessárias e ambições fúteis terão espaço? Quem seremos nós pós covid-19? E como os prestadores de serviço interpretarão isso? Será uma outra luta pela sobrevivência. Já está na hora de pensar a respeito. Igual ao que era antes é que não poderá ser! #Pensa


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