Sábado, 28 de Março de 2020

Despreocupados

A despeito do carnaval ser um ótimo negócio, vide números de arrecadação no Rio, São Paulo e Nordeste, tem muito cavaquinho de corda quebrada e bateria atravessando na festa.


22/02/2020 às 11:55

Domingo gordo de carnaval no país. Talvez a maior e a mais brasileira das festas profanas nacionais. Com certeza, a mais turística de todas. De norte a sul, de leste a oeste, em todos os pontos do país é carnaval. E pode ser um ótimo negócio. A capital nacional da folia, a cidade-maravilha-purgatório-da-beleza-e-do-caos, o Rio de Janeiro, principal imagem do carnaval brasileiro no exterior, fechou a festa de 2019 com R$ 3,78 bilhões de receita. Este ano projeta alcançar R$ 4 bilhões e com expectativa de 2 milhões de turistas, 25% a mais que no mesmo feriado do ano passado.

E se um dia o poetinha Vinícius de Moraes chamou, por uma mágoa, São Paulo de túmulo do samba, hoje talvez ele não o fizesse mais. A capital paulista também quer superar a marca de R$ 2,3 milhões de receita com o carnaval em 2019. Aliás, os paulistanos já brigam pelo título de capital do carnaval brasileiro com os cariocas quase de igual para igual. Há quem entenda do riscado e diga que é apenas uma questão de (pouco) tempo para esse reinado trocar de mãos. Ainda lembro dos anos 1980, quando o carnaval das escolas de samba paulistanas era inferior ao manaura!

Mas se o carnaval tem toda essa expressão financeira no Sudeste, o Nordeste também se destaca. Em Salvador, espera-se a geração de 200 mil vagas temporárias de trabalho por ocasião das celebrações do evento. E para não dizer que não falei de nós mesmos, Parintins exporta quase mil profissionais para os carnavais das escolas de samba de Rio e São Paulo: são figurinistas, escultores, pintores, cenógrafos em geral, para dar movimento e o fator surpresa a fantasias e alegorias das agremiações. Seguidamente, Parintins é citada nas transmissões do carnaval.

Mas a despeito do carnaval ser um ótimo negócio, tem muito cavaquinho de corda quebrada e bateria atravessando na festa. No Rio, a água que chega às torneiras tem cheiro de lixo, de cocô, de insalubre. Cariocas e turistas terão dificuldade em comprar água mineral. Em Fortaleza, onde o evento é muito expressivo e turístico, uma facção dos policiais militares grevistas aterroriza a cidade, saindo às ruas encapuzados, mandando o comércio fechar as portas, encostando arma na cabeça dos colegas para pararem de trabalhar.

Lá, na cidade do Crato, uma mulher que criticou o movimento paredista teve seu carro incendiado. Ao todo são mais de 12 estados brasileiros com greves ou ameaças de greve da polícia militar: seis deles na região Nordeste. Há quem diga que essas greves são movidas por interesses políticos que ultrapassam as reivindicações da categoria e que contam com apoios expressivos.

Mas hoje é domingo de carnaval. Tá tudo bem. A gente dá conta. É tudo um grande exagero da mídia. Vamos celebrar a vida, os ganhos, o sucesso, deixar de mimimi, pelo menos até a próxima tragédia! #Pensa


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