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Artigos de Domingo - 10 de fevereiro de 2019 09/02/2019 às 00:00 - Atualizado em 09/02/2019 às 18:39
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A semana passou rápido e o clima de carnaval que já toma conta da cidade me fez pensar muito em viajar. Não poderei fazê-lo agora, por uma infinidade de compromisso, mas o pensamento voou longe. Esse isolamento que sempre nos foi imposto, pela ausência de estradas, e pelas dimensões amazônicas grandiosas, nos fez um povo viajante. Refleti inclusive sobre os destinos que nós, manauaras e amazonenses, nascidos ou criados, historicamente temos priorizado ao longo do tempo.

Acredito que não seja necessária uma pesquisa mais detida para revelar nossas preferências. Posso até estar enganado, mas a impressão que tenho é que adoramos viajar para o Rio de Janeiro, para Fortaleza e para a Venezuela, mais precisamente à Isla de Margarita. Esses destinos estão quase que no subconsciente dos caboclos dessas bandas daqui. Talvez uma única divergência se dê a partir do poder aquisitivo: aqueles que podem mais, trocam Margarita por Miami.

Não faço a menor ideia de onde surgiu esse cardápio de viagens. Talvez a única certeza seja que a abertura da BR 174 tenha nos trazido a opção de uma viagem internacional, de carro, a um caribe mais simplesinho e acessível, em termos financeiros. Mas e o Erre Jota e Fortaleza? A ausência de mar em nossa aldeia? A existência de voos mais frequentes? Enfim, de onde vem esse ânimo demanda de muita conversa, mas as viagens a esses lugares são certas e sempre preenchem nossas listas anuais de desejos palpáveis e objetivos.

O que talvez a gente tenha que se perguntar – e muito – é sobre a quantas andam os nossos destinos dos sonhos! Vivemos nos queixando da violência urbana em Manaus, etc&tal, e queremos viajar para Fortaleza, para o Rio e para a Venezuela? Não existe uma contradição nisso? Ou não estamos atentos aos noticiários?

A capital cearense passa pelo que se pode chamar de uma guerra civil imposta pelo narcotráfico, com ônibus, viaturas de serviços, escolas, bancos e outros bichos de casco atacados e incendidos, com episódios diários de terror. O Rio não vai longe, agora temperado pelas infortúnios urbanos impostos pelas chuvas: esteve sob intervenção federal até dezembro do ano passado e a presença das tropas da União não reduziu os índices de criminalidade. Bem, sobre a Venezuela, está todo mundo Maduro de falar: sequer tem comida.

E nesses casos, vamos e convenhamos, não dá pra dizer que é coisa da mídia. Os fatos falam mais alto. E por falar em mídia, o colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodrigues, atual Ministro da Educação, andou fazendo algumas considerações sobre o povo do país que o acolheu e deu a ele oportunidades únicas. Em entrevista a uma revista de circulação nacional, declarou que “brasileiros viajando são ladrões e canibais”. Um Ministro da Educação que fala a língua pátria com sotaque e proclama duros conceitos sobre os cidadãos. É, realmente precisamos repensar nossos destinos. #Pensa