Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Diz aí...

Artigo de Domingo - 17 de Julho de 2016


19/07/2016 às 00:00

Pelos meus cálculos, faltam 77 dias para as eleições municipais, ou seja, dois meses e 17 dias. Vamos escolher o próximo prefeito e os próximos vereadores em meio a uma das maiores crises políticas enfrentadas pelo País. Tenho impressão que nunca questionamos tanto o poder constituído. Há uma falta de credibilidade que atinge a classe política, seja ela do Executivo, seja do Legislativo, seja de situação, seja de oposição, chegando a respingar também no Judiciário.

Estamos insatisfeitos e ao mesmo tempo desinteressados, enfadados. E, ao nos referirmos à classe política, temos a tentação de levar todos eles à mesma cova rasa: “político é tudo igual”. Independentemente desse sentimento, as eleições acontecerão e você terá que votar, quer você queira, quer não, nem que seja para simplesmente anular seu voto. No Brasil, o voto é obrigatório. E lembrando o ditame de diz que “o povo tem o governo que merece”, nossas escolhas acabam redundando exatamente nisso: eles são nosso reflexo.

É importante uma reflexão sobre as razões do nosso voto nas últimas eleições. Quais foram os motivos que nos convenceram de ser este e não aquele o candidato que deveria ser eleito? Acertamos? Erramos? Estamos satisfeitos? Nesse processo eleitoral, acabo achando que sempre estamos a reboque, espectadores pouco interativos, que nos limitamos ao simples ato de efetivar o voto, e nunca mais participar. Ou, quando participamos, já é nas ruas, protestando!

Como o poder, seja ao Executivo, seja ao Legislativo, é delegado, é concedido por uma escolha da maioria, a interatividade entre eleitores e eleitos talvez devesse se dar desde o início, ainda no momento de propostas. Você vota em alguém porque? Por beleza? Por afinidade sócio-econômica ou religiosa? Pra conseguir um emprego ou uma boquinha? Ou você vota em alguém pelas possibilidades que serão proporcionadas à cidade e aos seus cidadãos?

Digamos que você tivesse a chance de estar durante uma hora com todos os candidatos a prefeito de Manaus. E que eles, um a um, iriam ouvir você. O que você teria a pedir para eles, enquanto plataforma de trabalho? E não vale os jargões clichês “por menos corrupção”, “por uma Manaus melhor” ou “por um transporte público de qualidade”. Nem nada do tipo “lá no meu bairro tem um buraco...”. Você teria que apresentar propostas “dos vera”, com início, meio e fim. Ou pelo menos problematizar, ou seja, identificar a situação-problema para a cidade e apontar possíveis soluções. Então, me diga, o que você faria?

No final das contas, a gente se queixa muito, mas tem pouco a oferecer enquanto cidadão. É fácil jogar a culpa nos políticos que você elegeu. Mas quem deu o emprego a eles foi você. E quem não sabe o que quer, não chega a lugar algum. Então pensar naquilo que você quer para Manaus pode ser muito mais que um exercício de cidadania, e constituir-se numa pauta de reivindicações.

Pensa nisso, senta na frente do computador, ou numa mesa com uma folha em branco, e procura descobrir. E se possível, me manda – orlando.camara@gmail.com . As eleições estão chegando e está na hora de descobrirmos que cidade queremos. E de tomarmos posse dela. Sem jogar a culpa do fracasso em ninguém, mas se sentindo parte do processo. Topa? #Pensa


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