Domingo, 21 de Julho de 2019

E aquele sonho...

Crônicas de Domingo - 23 de Junho de 2019


23/06/2019 às 00:00

Semana curta, com feriado imprensado, mas o que não faltou foi assunto. Pautas relevantes e bem noticiadas. Eu, entretanto, passei a semana lembrando dos fotógrafos lambe-lambes que ficavam na Praça da Matriz quando eu era criança. Quem ainda é muito novo, ou quem não viveu a cidade, não deve se recordar. Explico: fotógrafos ambulantes que tiravam fotos em praça pública, geralmente com um grande painel de fundo, estampando uma paisagem grandiosa, para posarmos em frente. Eles expressavam nossos sonhos, talvez onde gostaríamos de estar.

Pensei nisso após conversar com uma amiga virtual e fiquei imaginando qual o nosso “sonho feliz de cidade”, o ambiente em que queremos viver. Sim, normalmente uma cidade tem sonhos e planeja sua realização. Um dia sonhamos em construir um belo teatro em meio à floresta e assim nasceu o Teatro Amazonas. Um dia sonhamos em acabar com aquela triste cena que vivíamos nos igarapés da área urbana de Manaus. Daí nasceu o Prosamin. Sonhamos em sediar a Copa, em recuperar o prédio da antiga prefeitura de Manaus... sonhamos com tantas coisas.

Mas Manaus ultimamente anda sem sonhos. Qual o grande sonho proposto à população da cidade? Não pode ser asfaltar e tapar buracos de ruas, né? Um sonho não pode ser uma coisa corriqueira, medíocre. Um sonho é algo ambicioso, que pode levar a cidade a um outro patamar. Quais são as propostas urbanas para Manaus? Viadutos também não servem... eles são obras comuns. A menos que sejam 15 ou 20 viadutos, ao mesmo tempo, que venham a mudar o traçado do tráfego de veículos em Manaus.

Agora, havemos de concordar que sonhar não é fácil, ainda mais sonhar uma cidade. Exige preparo, conhecimento, discernimento e disposição. Eduardo Ribeiro sonhou Manaus como a “Paris dos Trópicos” e até hoje, 119 anos depois de sua morte, a cidade ainda ostenta a marca de seus sonhos, como relíquias de uma metrópole hoje mal cuidada e mal amada. Outros sonharam tanto, bradaram seus sonhos, mas deles não restou nada. E o que restou é deplorável. Quem não conhece diamantes pode achar que o vidro é a mesma coisa e que sonhar com um ou com outro tanto faz.

Importante a gente falar isso. E falar muito sobre isso. As eleições para prefeito e para vereadores de Manaus estão chegando. O que esperamos deles? Será que vamos conseguir sair daqueles chavões do tipo “combate à corrupção” e “fim da violência”? Porque combater a corrupção e a violência é semelhante a tapar buraco: é obrigação, é algo que pressupomos já venha no pacote. Queremos saber dos sonhos, ambiciosos e realizáveis. Acho que andamos carentes de sonhos e de sonhadores. Mas cuidado para não confundir sonho com ilusão, nem sonhador com ilusionista. E não comprar promessa de campanha lambe-lambe! Pensar e sonhar a cidade é fundamental! Mas sonhar não é mentir! #Pensa


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