Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Entressafra

Artigos de Domingo - 13.Março.2016


26/03/2016 às 15:49

Entressafras são períodos que intervalam duas grandes produções consecutivas, quando ocorre uma baixa no desempenho. São tempos mais difíceis, de queda nos resultados, quando você precisa tirar leite de pedra e fazer o seu melhor, mesmo que o seu melhor não seja, ou não pareça, o suficiente. E, apesar no nome um tanto quanto agropastoril, entressafras acontecem em todos os setores, seja no plantio da horta, na pesca de determinada espécie, ou quando se escreve para um veículo de comunicação.

Agora, por exemplo, vivemos uma entressafra. Com a república do cinismo no auge de sua visibilidade, a paisagem fica repleta de escândalos que, de tanto debatidos, parecem corriqueiros e sem a menor importância. São tão explorados que nos acostumamos, como se fossem doenças crônicas com as quais teremos que conviver até o fim de nossos dias, tentando escapar ao pior das sequelas. E assim, sorrateiramente e subliminarmente, somos convencidos da nossa incapacidade de fazer qualquer coisa.

Fazem crer que somos impotentes! Nossa alternativa está sempre entre os mêmes que tiram sarro de tudo, ou os comentários odiosos sem qualquer atitude prática. E a vida segue, com as mentiras repetidas sistematicamente, com uma convicção visceral de verdade absoluta, com as notas em série de que “todas as doações foram feitas na mais absoluta legalidade, que não há provas e que se trata de uma perseguição política” e todo um rosário que você, leitor, já deve estar de saco cheio. Eles nos matam no cansaço.

Conseguem infernizar nossa paciência e nosso senso de realidade. E ainda bancam os censores policiais quando expressamos nossa opinião. Chamam a gente de alienados, de ignorantes, de direita. Apelam para qualquer ofensa para nos desqualificar. Seja num bate papo entre amigos, seja nas redes sociais. Eles fazem de tudo para nos calarem. E não há pior silêncio que o de quem, apesar de estar repleto de razão, se cala por pressão. A razão de querer ver investigados os fatos, apuradas as denúncias, esclarecidas as possíveis evidências.

É o silêncio dos bons, dos inocentes! É a derrota cidadã. É o fim da sociedade democrática e do estado de direito. A falência das instituições em garantir ao indivíduo a liberdade de expressão. É a lei da mordaça. E essa guerra fria – nem tão fria assim – avança para cima da imprensa. Vejo alardearem, sem a menor cerimônia, que os meios de comunicação são o demônio causador da crise, os responsáveis pelo caos no País, os caluniadores de cidadãos de honestidade e conduta inquestionável.

Até parece que há menos de 30 anos não lutávamos, lado a lado, pela liberdade de expressão no Brasil. Até parece que as palavras de ordem não eram as mesmas, pelo fim da ditadura e pela abertura política da nação. A imprensa tem seus erros, sim! E a imparcialidade é uma utopia – já que a matéria é sempre impregnada, até inconscientemente, pelo repórter, pelo editor, pela linha editorial do veículo. Mas a imprensa não fabrica fatos! Ela os repercute. Vejo uma sombra Chavista na onda de agressões a repórteres, invasão a veículos, demonização da imprensa! A quem interessa restrições à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa? A uma ditadura? A quem se coloca acima do bem e do mal? Isso sim é golpe


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