Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Envelheço na CIdade

Crônicas de Domingo - 29 de Julho de 2018


29/07/2018 às 00:00

A projeção populacional do Ibge para o Amazonas, divulgada na semana que passou, dá conta que a média de idade dos amazonenses aumentará, até 2060, 14 anos, passando dos atuais 25 para 39. Até lá, a proporção entre crianças e idosos, que hoje é de 16 pessoas com mais de 65 anos para cada grupo de 100 com menos de 15, se transformará em 97 para cada 100. Se por um lado isso é bom, por que estamos prolongando a existência e vivendo mais, por outro existe uma série de desafios a serem enfrentados.

Não resta dúvidas que o padrão social ambicionado é o do jovem e que as pessoas mais velhas sofrem uma série de vetos na aceitação profissional e social. Mas, para muito além disso, que parece acontecer em todo o mundo, temos questões muito particulares a serem enfrentadas. E uma delas é, sem sombra de dúvidas, a reforma da previdência pública. Não há dúvidas de que ela é necessária. O problema são os termos em que ela será feita. Há determinados grupos que continuam, nas propostas em andamento, mantendo privilégios, enquanto a grande maioria é prejudicada. Parece que somos todos iguais perante a lei, mas uns mais iguais que outros.

Isso sem mencionar a perda salarial que sofre quem se aposenta, algo que soa irreversível. Justamente na contramão dos gastos, que aumentam na terceira idade. Medicamentos, assistência médica, alimentação e outros cuidados especiais são bem mais caros quando voltados para idosos, se comparados a produtos similares, mas direcionados a outras faixas etárias. Ganharemos menos, justamente no momento em que precisaremos gastar um montante maior.

Os especialistas dizem que o jeito é poupar e fazer uma previdência privada. Dá vontade de perguntar de que país esses especialistas estão falando!!!??? Num Brasil em que as famílias perdem o poder de compra e trabalham em déficit? Sim, elas não têm qualidade de vida por não deter maior poder econômico; recebem menos do que precisariam para suprir todos os itens básicos de um acesso cidadão a serviços essenciais, como moradia, saneamento, educação, saúde, transporte… E se fala em poupança? Talvez para uma faixa muito pequena da população.

A verdade é que aqui, como em todo o país, estamos envelhecendo, vivendo mais, e não há perspectivas a médio, nem a longo prazo, de uma situação mais favorável, ou confortável, a quem segue nessa direção. A sociedade não se preparou, nem se prepara para isso. Seremos reféns, na velhice, da construção que não realizamos hoje. Sofreremos todo tipo de dificuldades e preconceitos, seja nas questões mais complexas, como a retribuição previdenciária, seja naquilo que é mais simples.

Querem um exemplo? Convidem um grupo de dez idosos com mais de setenta anos para caminharem por Manaus, nas diferentes zonas da cidade. Não me refiro a passear pela orla da Ponta Negra, ou no Largo São Sebastião. Falo em caminhar: ir a um supermercado, ou a uma agência bancária. Façam a experiência e depois me digam. Se o ir e vir é complicado, imagina o resto. #Pensa


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