Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Estatísticas

Artigos de Domingo - 24 de Dezembro de 2017


24/12/2017 às 00:00

Desde de que me entendo por curioso e pensante, considero as estatísticas uma ferramenta fundamental para muitas coisas. Quem vive de “feelings” é o Morris Albert e de intuição é o cartomante. Se os próximos passos puderem ser guiados por um retrato da realidade, baseado em números, nada melhor. Especialmente quanto você pode cruzar os dados e ter uma noção ainda mais segmentada.

Planejar-se com base nas estatísticas – desde que bem-feitas – permite menos desperdício de tempo e de recursos e garante uma caminhada mais segura ao objetivo. E se você pode se cercar de ferramentas capazes de lhe orientar, pra quê caminhar no escuro? Então, por um traço de personalidade, por influência astrológica ou por chatice mesmo, sou adepto das estatísticas e as levo muito a sério – menos aquelas de pesquisa eleitoral, por razões óbvias.

E mais do que obter o dado, é preciso saber ler a informação que ele traz, conseguir interpretar, mesmo que os números não pareçam fazer qualquer sentido. Quer ver uma coisa, as estatísticas do IBGE, atestaram que Manaus, apesar de cair uma posição, continua fazendo parte do seleto grupo das sete cidades brasileiras que respondem sozinhas por 25% de todo o Produto Interno Bruto. Somos detentores de 1,12% de toda a produção de riquezas no país. Isso nos permite concluir que somos ricos, pelo menos em relação a grande parte do Brasil.

Mas o mesmo Instituto que nos permite enxergar essa riqueza, nos mostra, em outros estudos estatísticos, que no Amazonas vivemos 4 anos a menos que a média nacional. Diz ainda que ganhamos 26,3% a menos que a média e que somos o segundo estado brasileiro em número de pobres, com 49,2% de pessoas vivendo na pobreza, perdendo apenas para o Maranhão.

Mas se Manaus é rica, uma das “sete mais” do território nacional, como é que pode os amazonenses viverem menos e ganharem menos que a maioria dos brasileiros? E ainda por cima sermos tão pobres? Muitos haverão de dizer: a riqueza é manauara e a pobreza é amazonense. Existe uma discrepância enorme entre capital e interior. Uma explicação que parece ser factível, por muitas evidências.

Entretanto, um estudo recente, publicado pelo mesmo IBGE, sobre concentrações urbanas e condições de vida, atesta que Manaus, junto com Belém, “concentram o maior percentual de população em áreas com baixíssimas ou precárias condições de vida”, entre as maiores aglomerações urbanas do país. A campeã é a capital paraense (28,5%), seguida no retrovisor por Manaus (28,3%). Traduzindo, 500 mil pessoas, ou um quarto da população, ou ainda 25% dos cidadãos manauaras vive em péssimas condições de vida. Mas aí voltamos à pergunta: como é que pode Manaus ser tão rica e ter tantos habitantes vivendo precariamente? Só dá para concluir que a riqueza existe, mas está na mão de muito, MUITO poucos. Olhar as estatísticas nos permite enxergar a realidade e, quem sabe, planejar o futuro. Será? #Pensa


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