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Crônicas de Domingo - 30 de dezembro de 2018 30/12/2018 às 00:00 - Atualizado em 30/12/2018 às 11:02
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Dois mil e dezoito termina com um saldo transformador! Pode parecer clichê a afirmação, afinal todo ano fica para a história, blá blá blá… mas eu creio que 2018 se transformará, no futuro, naquilo que foi 1968, “O Ano Que não Terminou”, no título do livro de Zuenir Ventura. Talvez assim tão de perto esteja tudo muito quente para se sentir o sabor, como um bolo que acabou de sair do forno mas, com o passar do tempo, provaremos inevitavelmente de seu agridoce gosto, com notas muito doces e muito amargas, bem bipolares e extremas, a mais perfeita tradução dos últimos 12 meses.
Guardaremos na memória a derrota de uma quase dinastia, que começou em novembro de 1982, com a eleição de Gilberto Mestrinho ao governo estadual, a primeira escolha direta depois dos anos de ferro. Um dia, em algum lugar da história, Mestrinho, ombreado por seus aliados, profetizou: “ficaremos vinte anos no poder”. No feitiço do boto navegador, deixamos girar a roda do destino, e eles ficaram três décadas e meia, se revezando à frente do executivo estadual e dos principais cargos políticos do Amazonas.
No final de 2017, pra ser mais preciso, no dia 21 de dezembro, o governador cassado do Amazonas, José Melo, foi preso, liberado, preso novamente e assim permaneceu até 27 de abril deste ano, quando foi libertado mediante pagamento de fiança. Ele e cinco de seus ex-secretários foram presos em sucessivas operações da justiça federal, investigados por desvios de verbas da saúde em montantes que, de tão grandes, deixaram de ser astronômicos para serem astrológicos. Fica na conta de 2018, pelo período em que permaneceram presos, pelas denúncias do Ministério Público Federal à justiça contra eles e pelos desdobramentos das operações, que aconteceram até o último novembro.
Houve greve de policiais militares, de professores, paralisação completa do sistema de transporte coletivo de Manaus, por mais de uma vez. Ameaças de greve dos profissionais de saúde, por falta de pagamentos em todos os segmentos, dos médicos aos serviços gerais; possibilidade de movimentos paredistas também no sistema penitenciário. O Executivo Estadual ultrapassou o ano inteiro o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal para comprometimento da arrecadação com a folha e ainda devia aos terceirizados, que são uma enormidade. Quase tudo que arrecadamos é gasto com pessoal e pagamento de dívidas.
Foguetórios com duração de show pirotécnico de réveillon foram vistos em toda Manaus, mas em toda mesmo, para comemorar aniversários de traficantes de drogas. Testemunhamos até manifestação em frente ao Fórum, reivindicando a transferência para Manaus de narcotraficantes que cumprem pena em presídio de segurança máxima. Tudo junto e misturado, com notícias sobre setores da cidade onde eles tem a hegemonia e expulsam de suas casas os moradores devedores da “boca”. Ouvimos até falar em “portaria”, com soldado do tráfico, armado e de rádio, para liberar a entrada de carros a determinado conjunto habitacional.
Nacionalmente, brigamos muito. Brigamos por tantas coisas que não se justificam. Faltamos ao respeito com o próximo e ultrapassamos todos os limites do bom senso no debate. Talvez assim fosse necessário… Mas o que será de 2019? Bem, isso ainda está por ser escrito. Mas uma coisa é certa: depende, embora não pareça, da atitude diária de cada um de nós! Feliz Ano Novo (que ele não tenha cheiro de mofo). #Pensa