Segunda-feira, 06 de Julho de 2020

Festejos???

As dúvidas e incertezas sobre grandes eventos haverão de perdurar muito tempo. Precisamos lembrar, diariamente, que normal é parar de morrer gente, e não abrir shopping.


20/06/2020 às 11:50

Passei a semana pensando em um assunto sobre pandemia, coronavírus e outros bichos de casco que já abordamos por aqui mas que me parece necessário retomarmos. Olhando o estudo do Governo do Estado sobre a reabertura social, a última etapa da liberação se dá em 6 de julho, para atividades que não foram contempladas nas fases anteriores, EXCETO bares, casas de show e eventos, ainda sem data definida.

Durante a semana ouvi gente falar sobre a importância do Festival Folclórico para a economia e para a população de Parintins, que deve e precisa ser realizado em 2020, talvez em novembro, etc&tal. Parintins, que tem 118 mil habitantes, 80 mil vivendo na sede do município, contabilizou até sexta passada 2.154 casos testados positivos para covid-19 e 68 mortes pela doença. Manaus segue uma linha descendente entretanto os casos no interior do Estado crescem. 

Alguém acha mesmo que, diante de toda essa incerteza, se deva fazer uma festa, qualquer que seja ela, baseada em aglomeração na arena, nas galeras, nas arquibancadas, cadeiras e camarotes de visitante e na cidade inteira??? Eu entendo bem a preocupação econômico-financeira, mas entendo que o festival, super tradicional e importantíssimo para o Amazonas, tem que ser positivo para a cidade. Vamos lá por 3, 4, 5 dias, nos divertimos e depois saímos e deixamos a cidade infestada de doentes? 

Que a garantia temos que o visitante vai? No restante do Brasil essa pandemia vai demorar a passar. Acompanhei notícias de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul voltando atrás nas medidas de abertura social. Todos tinham poucos casos e poucos testes, voltaram às atividades e a infecção agora todo dia bate recordes. A China e a Nova Zelândia estão registrando novos casos e recomendando o distanciamento social!

Não sabemos se o turista vai, se ele vai ter dinheiro para gastar se teremos transporte aéreo para chegar lá – 30% dos visitantes, os mais gastadores, chegam lá via aérea. E na verdade essa é uma situação que se aplica a todas as festas do interior: Manacapuru, com a Ciranda, Maués com a Festa do Guaraná, Nova Olinda com seu Festival Folclórico... Existe uma necessidade de socorro financeiro a ser dada aos municípios, mas a realização das festas parece inviável.

Pensem bem: que patrocinador vai querer ver sua marca associada a uma festa popular de aglomeração nesse instante? Isso sem se falar que os cofres públicos que pagam muita das coisas nessas festas estarão impactados pela queda de arrecadação.

As dúvidas e incertezas sobre grandes eventos haverão de perdurar muito tempo. Os réveillons e os carnavais de Rio e São Paulo, já em 2021, vão acontecer? O Governador da Bahia já declarou: sem vacina não haverá carnaval em Salvador. Precisamos lembrar, diariamente, que normal é parar de morrer gente, e não abrir shopping. #Pensa


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