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Independência

Artigos de Domingo - 10 de Setembro de 2017 09/09/2017 às 00:00 - Atualizado em 09/09/2017 às 22:40
Show 1968 o ano que nao terminou

No final dos anos 1980, o jornalista Zuenir Ventura lançou o livro “1968 – O Ano que não terminou”. Enorme sucesso editorial à época e que repercute até hoje, Zuenir fez minuciosa pesquisa para narrar um dos anos mais importantes da atual história do país e do mundo. Não fez um livro de ficção, mas um relato dos fatos que marcaram aquela época, contados com uma intimidade enorme, que fazia o texto parecer um romance. O livro foi o primeiro título da carreira do jornalista enquanto escritor, ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura (1994) e que hoje, aos 86 anos, tem assento na Academia Brasileira de Letras.

Os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy; o movimento dos estudantes franceses, conhecido como “maio de 68”; a entrada em vigor do Ato Institucional Nº 5, que restringiu os direitos e as liberdades individuais e recrudesceu o golpe militar no Brasil. Esses e muitos outros fatos foram vistos naquela obra, que trazia diferentes visões sobre o mesmo fato, talvez um dos segredos do sucesso. O autor dizia que aqueles fatos ainda ecoavam no dia-a-dia e por isso aquele foi um ano que ainda não tinha acabado: seus efeitos estavam presentes em nossa rotina.

Durante o feriado da Semana da Pátria, fiquei pensando como a leitura, ou a releitura, daquela obra seria oportuna para que nós, cidadãos, pudéssemos entender o processo que estamos vivendo hoje. Em um país imerso numa crise  ética, política e econômica, dividido entre a esquerda Lulista e a direita Bolsonarista, e suas defesas radicais e inconsistentes, que não apontam para soluções a um Brasil socialmente mais justo, sobram ignorância, delações e malas de dinheiro e falta conhecimento. Parecemos nos debater em meio à areia movediça: quanto mais esperneamos, mais afundamos.

Tornamo-nos uma nação superficial, sem conhecimento, incapaz de articular ou enxergar saídas. Ano que vêm será 2018, teremos eleições presidenciais, parlamentares federal e estadual e para governo estadual, cinquenta anos depois de 1968, o ano que não acabou. Meio século talvez fosse suficiente para termos alcançado uma outra ordem social, mas não o foi. Ainda estaremos votando nos mesmos velhos discursos, que pleiteiam honestidade, combate à corrupção, se autoproclamando salvadores da hora e reserva moral nacional. Tristes trópicos...

Aqui mesmo, no Amazonas, ainda nos vemos sustentados e assombrados pelo velho fantasma da Zona Franca, um projeto de 1967, implantado pelos militares para ter determinado tempo de duração. Ainda funcionamos à base dos incentivos e somos alvo de constantes ameaças, muito naturais na nova ordem econômica. Não nos tornamos autossustentáveis e pouco empreendemos para isso. A riqueza da indústria até pode ser maior, mas é produzida por muito poucos. É fato: 1968 ainda não acabou pra nós! Talvez fosse a hora de reescrever essa história! #Pensa