Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Indiferença Eleitoral

Artigos de Domingo - 3 de Julho de 2016


02/07/2016 às 00:00

Indiferença Eleitoral

 

O Festival Folclórico de Parintins desde ano acabou. E foi um grande sucesso. E o carnaval, que deverá enfrentar os mesmos desafios de se sustentar sem verbas públicas ainda está longe. Nem os enredos para 2017 foram lançados por todas as escolas. Entre um evento e outro, a cidade soa sem assunto. As eternas notícias de corrupção da operação Lava Jato e suas coirmãs ainda preenchem as manchetes, mas parecem ter virado paisagem. As crises, econômica e política, junto com o impeachment, estão na mesma situação.

Ninguém mais lembra da onça Juma e as olimpíadas não caíram no gosto popular. Falar de segurança pública virou, no País, outro lugar comum, onde faltam critérios e propostas. Resta ainda o debate sobre o aumento da tarifa, que não se decide em ser, nem um tango argentino, nem uma tragédia grega. Mas é tão chato e sem propósito que se assemelha a um dramalhão mexicano carregado de clichês. Resumo: estamos sem assunto.

E não era para ser assim!!! Estamos às vésperas das eleições municipais para prefeito e vereador. Mas não nos tocamos disso, ou estamos dando muito pouca importância. O debate sobre a vereança há muito já está despolitizado. Acabamos votando por algum motivo, qualquer motivo, menos por uma decisão política. É um conhecido, aquele gente boa de algum lugar, o sacerdote, o parente distante, o que faz favor pra todo mundo no bairro... tudo vale, menos escolher alguém que pareça ter uma proposta de políticas públicas para a cidade. Basta você se perguntar: você conhece todos os vereadores?

Entretanto, na contramão desse marasmo, as eleições para prefeito têm sido marcadas por um forte conteúdo político, inclusive discutindo as alianças nacionais dos candidatos e seus desdobramentos. E recheadas de episódios peculiares – quem não se lembra do “ovo”, que antecedeu o último pleito? Mas 2016 está sendo um ano atípico e de alguma forma damos aparência, por assim dizer, de anestesiados e apáticos.

A nova lei da propaganda eleitoral reduziu o tempo de campanha, que na prática só pegará fogo em agosto, e criou a figura do pré-candidato. Mas estamos a menos de 30 dias para agosto e nosso nível de debate ainda está no zero. Quais são as demandas dos cidadãos manauaras para a próxima gestão? Quais nossos anseios, nossas preocupações, nossas prioridades? Não vejo ninguém da sociedade civil se articular para isso. A não ser os mesmos de sempre, que aparelham algumas instituições, distantes da base, e a serviço dos interesses desse ou daquele grupo político.

No final das contas, parece que teremos as mesmas velhas campanhas, requentadas para ganhar uma cara de “modernidade”, propondo construir viadutos, como se eles, sozinhos, fossem resolver todo o problema de mobilidade da cidade. Ou então com um belo discurso fantasioso, vazio de propostas, mas repleto de palavras de efeito, por uma Manaus de um transporte público de qualidade e gratuito para a população. Mas como? E com que recurso? E a partir de quando? Esquecemos, ou talvez ignoremos mesmo, a necessidade de políticas públicas integradas e tratamos a cidade como uma colcha de retalhos. Isso não resolve nada. Até quando ficaremos nesse “ora veja”? É essa a eleição que queremos? #Pensa


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.