Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

Limite

Crônicas de Domingo - 26 de Maio de 2019


25/05/2019 às 00:00

Estou entregando este texto para publicação aos 52 minutos do segundo tempo, por pouco não perco o prazo de ir para a edição de domingo! Minha editora deve estar meio aborrecida comigo, e com razão! Mas é que a semana passou e precisamos falar de alguns assuntos indigestos, os mais importantes dela, e que eu talvez não tenha encontrado a medida certa para abordá-los! Tentei fugir para outros temas, mais leves, falar de coisas mais corriqueiras, de problemas urbanos... mas não deu! Precisamos encarar os fatos!
A greve dos professores parece ter chegado ao fim, com ganhos necessários à categoria! Mas precisamos trazer uma série de elementos à cena para entender o momento que vivemos! Desde o ano passado, o governo do Estado vem atingindo, meses seguidos, o limite prudencial de comprometimento da arrecadação com pagamento de folha. Para além disso, os inúmeros serviços públicos terceirizados consomem uma fatia significativa da arrecadação: saúde, sistema penitenciário... Resta muito pouco recurso para investimentos, planejamento e realização de projetos, obras, e tudo mais que faz a roda girar! Sim, muito pouco dinheiro para isso: a maioria está comprometida com pagamento de pessoal, direto ou indireto!
De outro lado, o grosso da arrecadação vem da Zona Franca de Manaus que, não se iludam, está em crise. Corre muitos perigos, mas já está abalada. Acumulamos quedas seguidas na produção. A hotelaria voltada especificamente para o setor industrial anda com baixas ocupações. E na semana que passou o Congresso Nacional aprovou, em suas comissões parlamentares, dispositivos ligados à reforma tributária, que pode vir a ser o tiro de misericórdia no atual modelo produtivo do Parque Industrial de Manaus.
Altos gastos com pessoal, queda na arrecadação, perspectivas sombrias pela frente. O que fazer? Em curto e médio prazo, dificílimo enxergar soluções. Para piorar, os dados do IBGE mostram que Manaus tem a maior taxa de desocupação do país, superando 19% da população, enquanto a média nacional é de 12,7%. Demitir, na máquina estatal, não parece ser solução!
Em meio a toda essa enxurrada de informações complexas e difíceis de digerir, ouvi que a proposta de greve no setor de saúde é motivada por dívidas deixadas de 2018. Precisaremos colocar dinheiro novo para tapar buracos antigos! Dinheiro novo que está escasso, não vem!
Os cenários não são alentadores, e não se resolvem a curto e médio prazo, com discursos à moda antiga! Embora a tentação seja grande de nos deixarmos levar por eles. Está aberta a temporada de disputadas de candidaturas à prefeitura e à câmara municipal de Manaus e as promessas fluem fácil! Mas precisamos mesmo é de razão! Talvez de um pacto social que reúna diferentes setores em torno das soluções que necessitamos entregar! Não são um problema de Governo, são questões pertinentes a toda a sociedade! Estamos no limite! #Pensa


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