Terça-feira, 22 de Junho de 2021

Lucidez

A gente, que vive se queixando ou menosprezando as decisões e atitudes dos cariocas, teve que calar a boca diante do anúncio de que, sem vacina para Covid-19, não haverá carnaval no RJ.


18/07/2020 às 12:10

Dos muitos fatos da semana, aquele que ficou em minha mente de maneira mais significativa foi o anúncio do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Jorge Castanheira: “Se não houver a vacina nós não temos como fazer esse tipo de evento com a aglomeração do carnaval; o jogo de futebol pode acontecer sem plateia, a fórmula 1 pode acontecer sem plateia, mas o desfile das escolas de samba não pode acontecer sem aglomeração dos desfilantes ou de quem está assistindo”. Sim, ele se referia ao desfile das escolas de samba cariocas em 2021. Sem vacina para a Covid-19, sem carnaval.

Também no carnaval de rua do Rio de Janeiro, a posição é semelhante. A liga que representa os blocos que desfilam pelo centro e pela zona sul daquela cidade pretende definir em outubro se vai ou não haver desfiles, mas adianta “sem vacina é pouco provável que a gente realize”. O período carnavalesco é um bom negócio para a capital carioca, que faturou R$ 2,6 bilhões com a festa em 2020. Mesmo assim, diante da pandemia do novo coronavírus, numa atitude que eu considero cidadã e estratégica, as agremiações responsáveis pelo evento não o realizarão, a não ser que haja uma vacina.

Não existe nenhuma politização do vírus no anúncio das ligas. Trata-se apenas de compromisso social com a população do Rio e com a longevidade e vitalidade do evento. E a gente, que vive se queixando ou menosprezando as decisões e atitudes dos cariocas, teve que calar a boca. Eu gostaria muito que essa mesma lucidez permeasse as decisões por aqui. Mas infelizmente parece que tem se dado o oposto.

Na semana que passou, a Justiça, a pedido do Ministério Público, determinou o cancelamento do evento de aniversário da Cidade de Manacapuru, que seria realizado na quarta-feira, dia 15, pela Prefeitura daquela cidade, que tem um dos maiores índices de casos e de mortes do país por 100 mil habitantes por Covid-19. Até sexta-feira, Manacapuru, que tem menos de 100 mil habitantes, registrou 3 mil 288 casos confirmados da doença e 131 mortes.

Há duas semanas, Caprichoso e Garantido resolveram anunciar que realizarão o Festival de Parintins, que acontece tradicionalmente no final de junho, nos dias 6, 7 e 8 de novembro, uma semana antes das eleições municipais para prefeito e para vereadores. Parintins é a quarta cidade do Amazonas em número de mortes pelo novo coronavírus, atrás somente de Manaus, de Manacapuru e de Coari – já contabilizou 3.019 casos e 93 mortes. As notícias que me chegam de todos os lados é que o parintinense não quer o Festival, mas os Bois decidiram querer.

Uma semana antes das eleições municipais, próximo da black friday e das compras de final de ano, com todo o desemprego e a falta de liquidez do brasileiro em geral, o evento em novembro parece não ser muito promissor. Falta lucidez para entender que o estrangeiro não virá, e que o brasileiro também provavelmente não. E que se coloca em risco toda uma cidade.

Se a justificativa é o abalo financeiro que a cidade sofrerá, que tal Caprichoso e Garantido convencerem seus patrocinadores a fazer uma grande ação social na cidade, honrando suas folhas de pagamento e auxiliando os pequenos empresários? Seria uma excelente forma de divulgação de suas marcas! Que tal as diretorias azul e vermelha recorrerem a quem sempre ganhou dinheiro com a realização da festa para também colaborar nessa missão? Que tal ter bom senso e compromisso? O Festival tem que ser sinônimo de vida e não de morte! #Pensa


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