Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Marmotas

Crônicas de Doming - 09 de Junho de 2019


08/06/2019 às 00:00

Ronaldo, o Fenômeno, três vezes eleito o melhor jogador do mundo, pegou três travestis na rua, levou-os para um motel, e pediu que um deles fosse até um morro para comprar cocaína. Acabou na delegacia, acusado de não ter pago o programa de um deles, justamente o que foi atrás da droga. Ronaldinho Gaúcho foi alvo constante das fotos e vídeos da imprensa europeia, como baladeiro, e amargou o banco de reserva de times daquele continente. Recentemente anunciou um casamento, ou pelo menos uma união estável, com duas mulheres, aqui no Brasil, país que é monogâmico. Adriano, o Imperador, fez tanta coisa que fica difícil de enumerar...

Com um histórico desses, ainda demos a Neymar o posto de assunto da semana, num enredo absolutamente confuso. Uma mulher viaja a Paris com passagem e hospedagem pagas por ele, com o claro objetivo de fazerem sexo – já havia sido combinado anteriormente. Depois ela o acusa de estupro e agressão, grava intencionalmente um vídeo de um segundo encontro para comprovar a agressão, o provoca, batendo nele e, ao invés de dar queixa em Paris, o faz no Brasil. O exame de corpo de delito não identificou lesões que apontem indícios de estupro. E a suposta vítima já esfaqueou o ex-marido. Esses são os fatos. Antes que me acusem de machista, preciso dizer que é necessário ser feito uma investigação sim. Mas que isso não pode ou não deve ser o principal assunto no país ou aqui em nossa aldeia.

Enquanto essa pauta ocupa nossa atenção, deixamos passar aquilo que realmente interessa e faz a diferença em nossas vidas. Estudo publicado pelo IBGE durante a semana dá conta que a indústria amazonense perdeu, de 2010 a 2017, 21% de sua capacidade de geração de vagas de trabalho. Entretanto, no vizinho estado do Pará, o número de pessoas ocupadas no setor vem superando os números do Amazonas desde 2015. Péssima notícia para nós, tanto pela perda do benefício social do emprego à população, quanto pelo modelo da indústria paraense, que é baseada na exploração mineral, o que pode significar uma pressão à abertura do Estado à atividade, que traz imensos danos ambientais. Se alguém tiver dúvidas, pesquise. Os problemas causados pelas mineradoras são muitos.

Outro dado que veio à tona durante a semana, esse trazido pelo Ipea, foi o crescimento da ordem 95,3% da taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Amazonas, entre 2007 e 2017. O número é alarmante: foi o terceiro maior crescimento da Região Norte em 10 anos, superado apenas pelo Acre e por Tocantins, e o sexto maior crescimento do Brasil nesse período. Em números relativos, referentes a 2017, o dado mais recente, o Amazonas perde na quantidade de homicídios por 100 mil habitantes para Acre, Pará, Amapá e Roraima, na Região Norte, e ocupa o 12º lugar no ranking nacional.

A construção do desemprego e da violência no Amazonas vem de mais de uma década. E a solução não surgirá num passe de mágica. Vejo alguns “indignados” cidadãos bradar soluções, exigir providências, vociferar e acusar quem ocupa o poder e tenho vontade de dizer: “Eu sei onde você estava no verão passado, aliás eu sei ao lado de quem você passou a última década”! A marmota é grande e é preciso ficarmos atentos para não achar que quem contribuiu pra chegarmos nesse estado de coisas é quem vai nos abrir novos horizontes. #Pensa


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