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Medalhas Sem Partido

Artigo de Domingo - 21 de Agosto de 2016 21/08/2016 às 00:00 - Atualizado em 21/08/2016 às 07:36
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Investimentos no esporte foram eficazes?

Até a manha da última sexta-feira, 11 das 15 medalhas brasileiras nas Olimpíadas foram feitos alcançados por atletas militares. Se considerarmos que apenas 30% da delegação é de profissionais das forças armadas (145 dos 465 atletas), podemos dizer, sem medo de errar, que o investimento realizado pelos militares foi infinitamente mais eficiente, eficaz e efetivo que aquele empreendido pelo Governo Federal.

Dados oficiais dão conta que o “Programa Atletas de Alto Rendimento” lançará mão, em 2016, de R$ 43 milhões, para apoiar 670 esportistas dos quadros da Aeronáutica, Exército e Marinha. Enquanto isso, a União desembolsará um total de mais de R$ 1 bilhão, com os programas “Bolsa Atleta” (R$ 330 milhões desde 2010), “Equipamento de Ponta e Preparação de Atletas” (R$ 350 milhões) e “Plano Brasil Medalhas” (R$ 328 milhões).

Traduzindo tudo em números, pode-se dizer que 73% das medalhas foram conquistadas com apenas 4,3% do total do investimento do Governo Federal. Um excelente desempenho em termos de custo-benefício. Mas, apesar disso, tem muita gente descontente porque alguns dos atletas prestaram continência no pódio, na hora do hasteamento da bandeira brasileira. Dizem se tratar de propaganda ou manifestação política, proibidos pelo Comitê Olímpico Internacional.

De minha parte, quero parabenizar o Brasil – sim, as olimpíadas em território nacional foram um grande feito – e as Forças Armadas, que elevaram nossas moral e autoestima. Não sou a favor de governos ou golpes militares, não quero as Forças Armadas de volta ao comando do Executivo Federal, prezo pela minha liberdade de expressão e pela democracia. Mas não tenho nada contra os militares.

Aprendi na universidade, com um amigo comunista, que os militares têm um novo papel a desempenhar num estado democrático de direito. E o têm mesmo. Tanto assim que o último ministro da defesa da presidente afastada era um comunista – e não vi nenhum ato de insurreição ou insubordinação ao fato. Num país em que convencionamos que somos radicalmente contra ou radicalmente a favor das coisas, sem diálogos ou concessões, a gente precisa repensar essa posição.

Aliás, posso dizer que tenho certa intimidade com a vida militar. Sou filho de policial militar, com muito orgulho; freqüentei o Colégio Militar de Manaus (do Exército) por oito anos e prestei meu serviço militar. Lembro bem que, a despeito do caráter militar, e de termos muitos professores militares; e ainda de ter freqüentado aquela instituição antes da reabertura democrática brasileira; nunca fomos tratados como imbecis. Muito pelo contrário! Discutíamos muitas coisas na sala de aula, inclusive opiniões a favor ou contra as determinações do governo vigente à época.

Transamazônica, Milagre Brasileiro, Guerra do Paraguai e muitas outras questões eram livremente debatidas em sala de aula, com professores emitindo suas opiniões, ouvindo os alunos e necessariamente sem concordar com as decisões estratégicas do governo militar. E tudo isso sem censura. Por isso mesmo, muitos líderes foram formados naqueles bancos escolares. Não me recordo de ter ouvido por lá que comunistas comiam criancinhas e as escondiam embaixo da cama.

É por isso mesmo que não entendo a proposta da “escola sem partido”. Todos os dias tomamos partido, de uma causa, seja ela qual for. Professores que ensinam literatura, poesia, filosofia e história ensinam a pensar, a ter consciência crítica. Professores de religião tomam partido. Como pode então professor não ter opinião em suas aulas? Até as pesquisas do Google as tem! #Pensa