Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Mitos de amazonenses: é hora de repensá-los

Precisamos nos ver livre desse mito de que temos tanta riqueza natural que ela nunca vai acabar. Porque um dia acaba, mais rápido do que a gente pensa.


12/10/2019 às 11:56

Essa semana fiquei refletindo sobre o quanto que nós, os amazonenses, nascidos, criados ou adotados, gostamos dos extremos. De um lado, somos o maior estado brasileiro (18% do território nacional); 1,5 milhão de quilômetros quadrados de floresta tropical úmida; maior bacia hidrográfica do planeta, com o maior rio e a maior biodiversidade da terra. Todos dados absolutamente verdadeiros e incontestáveis.
Infelizmente, muito por conta dessa grandeza real, parece que a preocupação ambiental ganha ares de menor importância. Tipo assim: “temos tanto que dá pra gastar um pouco”. É então que aparecem outras “grandezas” nada desejadas. Somos a segunda capital brasileira com o menor índice de arborização – em plena floresta amazônica – e a quinta entre as maiores cidades do país com os piores indicadores de saneamento básico.
Somos tão assim que beiramos a bipolaridade. Temos tudo e temos quase nada, tudo-junto-e-misturado-agora-e-ao-mesmo-tempo. Não sei qual a explicação para isso, só sei que é assim. Mas precisamos mudar de atitude. O decreto de situação de emergência por queimadas, publicado pelo Governo do Estado, antes mesmo de toda a confusão entre Inpe e Presidência da República, serve de exemplo e está nos garantindo um outubro sem fumaça – algo que não acontecia há pelos menos cinco anos. 
Precisamos nos ver livre desse mito de que temos tanto que nunca vai acabar. Porque um dia acaba, mais rápido do que a gente pensa. Num outro extremo, à parte do nosso orgulho pela grandeza natural, alimentamos a crença de que as coisas por aqui são sempre piores; e que lá fora tudo é melhor e mais fácil. Acreditamos, embora nem sempre tenhamos coragem de confessar em público, que somos periféricos e que toda a eficiência e eficácia nacionais residem no “sul maravilha”. Nossa autoestima é baixa, talvez um eco dos tempos coloniais.
Mas essa semana tive acesso a uns estudos que o estatístico Francisco Alves (pra mim, meu amigo Chicão), fez sobre festas populares no Brasil. Ele realizou um comparativo de custos para viajantes dos carnavais carioca, paulista, baiano, de algumas outras festas populares do calendário brasileiro e o Festival de Parintins. A gente vive dizendo que é um absurdo o quanto Parintins é caro! Mas adivinhem vocês qual desses eventos está entre os mais baratos: Parintins, que só é superado em menor custo pelo carnaval paulistano – e aí, pela economia de escala, já que nossa Ilha Tupinambarana é uma cidade de 100 mil habitantes, no meio da floresta.
A gente precisa mesmo rever crenças, resignificar paradigmas que repetimos ao longo do tempo, sem raciocinar sobre eles. Em que mentiras estamos acreditando? Que mitos estamos alimentando? Talvez seja a hora de nos libertamos para podermos seguir em frente! #Pensa


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.