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Muito, Pouco, Quase Nada!

Crônicas de Domingo - 12 de Agosto de 2018 11/08/2018 às 00:00 - Atualizado em 11/08/2018 às 18:20
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Muito honesto, muito correto, muito bom, muito homem, muito resolutivo, muito família! Sempre tenho os dois pés atrás com quem se autoentitula “muito” qualquer coisa. Não que as pessoas não possam vir a ser “muito” honestas, por exemplo. Não se trata disso. Mas é que quem realmente é não fica propagando aos quatro cantos, nem tem uma atitude de ostentação dessa qualidade. Como no ditado popular: “quem tem dinheiro de verdade é que nem quem tem hemorroida: não diz que tem”.

Aqueles que são “muito" qualquer coisa, mas aqueles que SÃO MESMO, DOS VERA, geralmente sequer sabem que o são e nem vivem em função disso. São e pronto; ou então se tornam, por um esforço pessoal e para a satisfação de necessidades íntimas. Esse papo de “eu sou muito isso”, “eu sou muito aquilo”, é a pista para a desconfiança imediata.

Soa como uma mentira que quer ser bem contada, para impressionar e abrir portas. Uma coisa “para os outros”, mas que não é própria de quem a afirma. Ou então parece aqueles mantras de livro de autoajuda barata: “eu sou muito próspero e todos os dias assim pronuncio, por que assim me tornarei”. Como se o simples fato de dizer algo, de afirmar diariamente em alta voz qualquer conceito, fosse capaz de criar um fato concreto.

Enfim, parece papo de bêbado, mas já está mais que provado que esse povo que vive dizendo muito que é, e geralmente são sempre “coisa boa”, no fim das contas são exatamente o contrário daquilo que afirmam. E em época de eleições é sempre bom e necessário pensar nisso. Tem um monte de gente aparecendo para dizer que é muito, que é o novo, que é o melhor e que é capaz de mudar quase-tudo. E ainda arrematam:”se assim Deus quiser, e Ele quer”.

E a maioria passa bem longe de qualquer coisa ou comportamento divino. Taí, outra coisa que deve se ter cuidado: “Eu sou muito cristão, sou muito religioso”, ou coisa que o valha. Cristãos verdadeiros são pessoas que todos os dias se esforçam em ser; não se consideram completos e não ficam arrotando essa qualidade em público. Seriam então os novos fariseus? Não tenho a menor dúvida.

Tudo bem que já faz um certo tempo, mas o episódio Fernando Collor serve bem para exemplificar: na primeira eleição direta para presidente do país, pós Golpe Militar de 1964, o “caçador de marajás”. Deu no que deu, mas ele continua a ser “muito” e enganar o povo: se elegeu senador e está todo enrolado nas investigações de corrupção no Congresso Nacional. Também serve de exemplo a máxima de Lula: “não tem uma viva alma mais honesta do que eu”! Por favor, né?

Cuidado com todos aqueles que se dizem insistentemente “muito” seja lá o que for. Via de regra eles não são “nada”, apenas uma mentira! #Pensa