Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Novo-Pente-Fino

Crônicas de Domingo - 11 de Março de 2018


17/03/2018 às 00:00

Durante a semana, Manaus recebeu a visita de um pré-candidato à presidência da república brasileira em 2018: João Amoedo, do Partido Novo. Isso mesmo, não é mais um partido novo, o nome da agremiação política é “Partido Novo”. De formação financeira e com uma carreira muitíssimo bem sucedida em bancos e instituições financeiras de destaque nacional, Amoedo esteve com diversos setores da sociedade.

Em sua passagem pela UEA, ele respondeu à pergunta de um universitário sobre a Zona Franca de Manaus: “É um pouco do mesmo espírito que a gente tem quando tá fazendo o Bolsa Família”. No decorrer da palestra o presidenciável afirmou que a ZFM “não é o modelo ideal” por ficar “dando subsídios”, mas destacou entende ser “necessário para o crescimento da região”. Por fim, ele, que é um liberal assumido, a favor da privatização de todas as empresas públicas, declarou que é necessário trabalhar para a criação de uma economia sustentável na Região.

Coincidentemente, na mesma semana, o Banco Mundial entregou um relatório ao governo brasileiro intitulado “Emprego e Crescimento: A Agenda da Produtividade”. No documento consta expressamente a recomendação ao Executivo federal para fazer um “pente fino” nos incentivos fiscais, entre eles o Simples e a Zona Franca de Manaus. Divulgado na última quinta-feira (a fala de Amoedo na UEA foi na quarta), a proposta do estudo é de eliminar os incentivos que, segundo os executivos do Banco, “não são eficientes” e “utilizar os recursos para a inovação tecnológica e no apoio aos trabalhadores”.

Li atentamente às notícias, tanto a do João Amoedo, quanto aquela do Banco Mundial, e fiquei esperando uma reação dos setores competentes aqui no Amazonas. Afinal, estão falando da Zona Franca e, errados ou certos, estão falando do nosso sustento, razão pela qual precisamos nos pronunciar. Mas, tive a impressão que estamos na temporada do abiu - aquela fruta que deixa a boca grudenta depois de ser comida - por que não vi ninguém, ninguém mesmo, fazer uma linha de referência ao assunto. Ou eu estou muito mal informado e recorrendo aos veículos errados (e olha que eu assino clipagem de notícias sobre política e economia), ou então a gente está muito mal representado.

Engraçado que a Zona Franca completou muito recentemente, dia 28 de fevereiro, 51 anos e, na semana de seu aniversário, publicou um boletim dando conta de um faturamento industrial de R$ 81 bilhões em 2017, com crescimento de quase 10% em relação a 2016. E se olhamos o meio ambiente do vizinho estado do Pará e o comparamos ao nosso, claramente se enxerga os reflexos do modelo ZFM. Mas enfim, João, Amoedo, Banco, Mundial, pente fino: ninguém disse um “ai”. Eis aí um caso em que se justifica o clichê: “calados, eles já estão errados”! #Pensa


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