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O Lugar das Coisas

Crônicas de Domingo -23 de Setembro de 2018 22/09/2018 às 00:00 - Atualizado em 22/09/2018 às 19:09
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Publicação norte-americana "Foreing Affairs"

A semana passou agitada, com a atenção pautada nas eleições de 7 de outubro. Acabei refletindo sobre o papel da mídia nesses tempos tão confusos. Desde dos primeiros ecos do escândalo do “Mensalão”, em 2005, ao impeachment de Dilma, em 2016, e suas consequências, a mídia foi largamente tratada como “golpista”. Havia um foco bem apontado aos grandes veículos de comunicação, como se fossem eles os responsáveis por todos os fatos políticos que resultaram na saída da petista da presidência.

Ao mesmo tempo, em inúmeras passeatas do #VemPraRua, em 2013, equipes de televisão e de outras linguagens midiáticas foram sistematicamente agredidas, como se fossem participantes de todo o processo de corrupção que permeava a cúpula do poder nacional. Interessante notar que o movimento de contestação da ordem estabelecida, que levou milhões às ruas do país, só foi possível em razão da farta divulgação dos fatos pela imprensa.

Para os defensores daqueles que ocupavam o poder, a mídia era “golpista”, “fascista” e “vendida”. Ao mesmo tempo, para os opositores do governo, a mídia não era bem vinda, era “infiel”. Uma equação difícil de entender! Mais recentemente a mídia passou a agregar novas características no imaginário político! Agora ela é “esquerdopata” e “petista”. O que não dá para entender é como um único segmento pode, ao mesmo tempo, ter tantos atributos: golpista, fascista, vendida, infiel, esquerdopata e petista.

Isso nos remete ao lugar que a mídia ocupa, tanto no coletivo da sociedade, quanto na intimidade do imaginário pessoal. William Randolph Hearst, jornalista norte-americano do século XIX (19), é o autor de uma célebre frase, comumente atribuída erroneamente ao escritor e jornalista inglês George Orwell: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”. Ao dizer isso, Mr. Hearst, inspiração para o famoso personagem “Cidadão Kane”, procurava esclarecer que publicar verdades, mesmo que relativas e contraditáveis, é uma atribuição incômoda, e longe das possibilidades de agradar a todo mundo: alguém sempre sairá insatisfeito com o fato revelado.

Talvez, exatamente por isso, a mídia mude de atribuição pela boca de quem ela desagrada e, ao mesmo tempo, desnuda. O fato é que toda a corrupção do “Mensalão”, da “Lava Jato”, e todas as declarações intolerantes de grupos que disputam as eleições de 2018 continuariam a existir, mesmo sem a mídia. Mas é certo que, na ausência dela, a repercussão seria bem outra. Imprensa livre é condição indispensável para uma sociedade democrática, que aponta para o futuro. Prova disso é a censura imposta aos meio de comunicação pela Coreia do Norte, pela Rússia, por Cuba, pela Venezuela e, mais recentemente, na tentativa do Governo Kirchner. Antes de demonizar a imprensa, pense: A quem interessa calar a mídia?! #Pensa