Publicidade
Blogs

O que precisamos, e não o que queremos ouvir!

Crônicas de Domingo - 9 de Setembro de 2018 09/09/2018 às 00:00 - Atualizado em 09/09/2018 às 09:09
Show img 5300 70f07059 0f74 475b 851c 8c6d125c82ca

Duas semanas de uma campanha eleitoral no rádio e na TV que deverá durar 35 dias. Até aqui, os resultados são desastrosos. Na grande maioria dos candidatos a cargos proporcionais, a impressão que dá é que eles não têm capacidade para ocupar o cargo; não são qualificados para elaborar leis, propor soluções e fiscalizar o Poder Executivo. Há casos em que parece que eles foram convidados apenas para fazer figuração, completar número, sem o menor objetivo de concorrer, de tão sem noção que os senhores e as senhoras candidatas aparentam ser.

E o cenário também não é nada melhor quando falamos dos candidatos aos cargos majoritários. Sobram expressões emocionadas de sentimentos subjetivos, declarações que eles "prestam", que são "o cara", mas que na prática resultam em nada: não constroem um plano de governo. Talvez o grande problema é que suas excelências os candidatos são tratados como produtos de publicidade pura e simples. Lembram de quando era permitido comercial de cigarro? O homem de Malboro, o cowboy forte e viril, capaz de vencer tudo? Pois é, não passava de uma ilusão publicitária. Cigarro causa doenças - aliás, o ator que incorporava aquele personagem para a campanha morreu de câncer de pulmão.
Nas poucas vezes em que eles arriscam análises e propõem políticas, projetos, o esforço é insuficiente. Soa raso, sem densidade. Dá a impressão que eles estão falando o que queremos ouvir, e não aquilo que precisamos. Numa época em que pesquisa "é tudo", eles devem pesquisar até aquilo que esperamos que eles digam. Mas talvez não devesse ser assim.Talvez eles tivessem a obrigação de nos surpreender, nos desafiar, colocar em debate temas que passam despercebidos, mas que talvez sejam bem mais prioritários. Mas as equipes de marketing devem aconselhá-los a só abordar aquilo que o eleitor espera.
Que a segurança pública é um tema importante, não tenho dúvidas, como não tenho sobre a necessidade de combate ao narcotráfico na fronteira como solução ao problema. Entretanto, o Amazonas tem uma taxa de desocupação (nova terminologia para desemprego) superior à média nacional; Manaus é a terceira capital com maior taxa desemprego no Brasil. E a economia local é toda baseada na indústria da Zona Franca, que naturalmente tende a cada vez menos empregar pessoas. Senti falta desse debate no horário eleitoral.
Como senti também a ausência de propostas para a educação pública. O Índice de Educação Básica do país, o Ideb, publicado esta semana, deu conta que o Amazonas caiu de 10º para 17º lugar no desempenho da educação de nível médio. E aí, senhores candidatos? Podemos talvez dizer que escola em tempo integral não é a ferramenta mais eficaz, já que os números são de 2015 para 2017, justamente um período intenso de expansão de unidades educacionais dessa modalidade. E agora? E pensando bem, educação tem tudo a ver com segurança pública, numa política de médio e longo prazo. Mas será que interessa falar disso? Será que eles têm propostas? Ou apenas aquelas linhas que eles leem nos teleprompters? #Pens