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Crônicas de Domingo - 2 de Dezembro de 2018 02/12/2018 às 00:00 - Atualizado em 02/12/2018 às 08:56
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A semana terminou com uma bomba: a notícia que a fabricante da Pepsi-Cola vai se retirar do Polo Industrial de Manaus. Nada pode ser mais importante nos últimos dias, nem os aborrecimentos com a faixa azul, nem a crise da rede pública estadual de saúde. A saída da Pepsi-Cola Industrial da Amazônia da Zona Franca é um marco de vitória aos ataques que o modelo vem sofrendo, mais recentemente do Governo Temer, que mexeu nas alíquotas do IPI, tirando a competitividade da ZFM. Diante de possíveis ameaças da Coca Cola Brasil (pelo menos assim circula), Temer voltou atrás e editou um novo decreto, mas ainda assim prejudicou ao polo de concentrados de bebidas.

Tem gente celebrando o crescimento da produção industrial do Amazonas este ano, o segundo do país, até agora. Ou o faturamento de R$ 67,8 bilhões no terceiro trimestre de 2018, um crescimento de 15,32% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas o episódio da Pepsi faz isso tudo parecer um castelo de cartas de baralho, que pode ruir a um leve vento, e prenuncia tempos difíceis para 2019. A segurança jurídica da ZFM, garantida na Constituição brasileira, foi atingida. E a porteira está aberta. Vale lembrar o impacto que causará nos pequenos produtores rurais, fornecedores de açúcar mascavo e guaraná.

Talvez a ausência da fabricante de refrigerantes não signifique muito em termos de postos de trabalho diretos, mas há tempos toda essa riqueza industrial representa pouco em relação ao benefício social do emprego. Aliás, por falar em vagas de trabalho, o Estado do Amazonas tem superado sistematicamente o limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para comprometimento da arrecadação com a folha de pagamento. Certo, isso não é novidade. Mas alguém está atento que quase todos os profissionais da Saúde e do Sistema Penitenciário são terceirizados? Isso significa dizer que o comprometimento com pessoal, direto e indireto, é bem maior que o recomendado.

Tirando pessoal, contratos de terceirização, pagamento de dívida pública e outras burocracias, quanto sobra para investimento? E se perdemos arrecadação com a saída de fábricas, a situação fica ainda pior. Estamos, pelo visto, num mato sem cachorro. Precisamos de novas propostas de solução. Respostas velhas não resolvem, nem velhos, nem recentes dilemas. Afinal, estes problemas não foram postos na mesa ontem, estão servidos há anos. E, pelo visto, ou não eram vistos, ou foram sendo empurrados. #Pensa