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Paulistas e Noruegueses

Crônicas de Domingo - 16 de Setembro de 2018 16/09/2018 às 00:00
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Pesquisa do Ibge publicada durante a semana atesta que o Amazonas acumulou durante os sete primeiros meses de 2018 a maior alta da indústria brasileira em termos de produção: 14%. A mesma pesquisa comprova que, na contramão desses resultados, Minas Gerais, São Paulo e Paraná amargaram a maior queda. E quando se fala de indústria no Amazonas, não há dúvida que falamos da Zona Franca. Aliás, na mesma semana outro dado muito significativo veio à tona: agosto contabilizou um crescimento de 35% na produção de bicicletas em Manaus.

Coincidentemente, o jornal “A Folha de São Paulo” publicou, na mesma semana, uma reportagem especial com o título “Promessa Eterna: Obsoleta, Zona Franca de Manaus consome R$ 24 bilhões em renúncia fiscal”. A matéria jornalística fala de desemprego e de índices de pobreza, como se o advento da ZFM significasse nada para o Estado e seus cidadãos, como se ela fosse inútil,  apenas um sumidouro de incentivos fiscais. Nenhuma linha sobre PIB, sobre arrecadação, sobre meio ambiente. O mais engraçado de tudo é que aquele jornal faz constar no conteúdo que a “viagem dos repórteres foi custeada pela Rainforest Foundation Norway (RFN)”.
Fiquei me perguntando qual o real interesse da fundação norueguesa para a floresta tropical úmida em patrocinar uma publicação desse teor! Ora, é da Noruega, tão preocupada com as florestas, que vem a empresa Hydro, responsável pelo vazamento de dejetos de mineração que contaminaram a bacia de Barcarena. O governo norueguês é dono de 1/3 da mineradora. Aliás, quatro das cinco maiores empresas com sede no Pará são controladas pela norueguesa Norsk Hydro: a Mineração Paragominas S/A, que explora bauxita em Paragominas; a refinaria de alumina da Alunorte; a fábrica de alumínio da Albras; e a Companhia de Alumina do Pará, as três em Barcarena.
Se os propósitos da indústria do sudeste brasileiro em desgastar a Zona Franca dispensam maiores explicações, de tão óbvios que são, precisamos ligar os pontos para encontrar os motivos noruegueses. Hegemônicos na atividade mineradora no vizinho estado do Pará, enfraquecer o parque industrial de Manaus é, sem dúvida, uma estratégia que cria espaço para a entrada deles no Amazonas. E para isso lançam mão do disfarce da “preocupação ambiental” para reforçar o lobby, que já é imenso, para a abertura de nossas fronteiras à mineração.
Com toda a tecnologia e modernidade ostentadas pela empresa norueguesa, os danos provocados em Barcarena são irreversíveis e, numa pesquisa mais detida, facilmente se encontra uma série de outros problemas com a atividade de extração mineral, que necessariamente não precisa de vazamentos para causar danos ao meio ambiente e, consequentemente, aos cidadãos da área atingida. A simples atividade, regularmente praticada, já é bastante danosa, segundo laudos de institutos especializados. O pior de tudo é que a Hydro Alunorte, que tem no Pará um excelente negócio, muito lucrativo, inicialmente negou completamente o vazamento. O assunto, que veio a público em 17 de fevereiro deste ano, até agora, sete meses depois, ainda não se resolveu.
Voltando à reportagem da Folha, aos interesses paulistas, agora aliançados a instituições norueguesas, com interesses de outra ordem, fico imaginando o que nós, amazonenses, estamos fazendo para nos defender! O que mesmo? #Pensa