Sexta-feira, 03 de Abril de 2020

#Pensa

Artigo de domingo, 17 de Abril de 2016.


19/04/2016 às 08:43

Essas coisas da política são engraçadas. E muito particulares. Nos Estados Unidos, por exemplo, lembro que um prefeito de Washington foi flagrado, por uma câmera de vigilância da polícia, dando duas tragadas em um cachimbo de crack, num hotel qualquer, e preso pelo FBI em flagrante. E cumpriu pena. Recordo também que um governador de Nova York renunciou porque era cliente de prostitutas de luxo. Casado havia 21 anos e pai de três filhas, a revelação sobre o chefe do executivo novaiorquino se transformou em um grande escândalo.

Mas é também nos mesmos Estados Unidos onde os planos de Obama de democratizar a saúde, aumentando o acesso da população ao serviço, precisaram ser validados na justiça. O “Obamacare” sofreu questionamentos judiciais e duras críticas, até hoje utilizadas na corrida presidencial. Vai entender?! Eu me pergunto se isso tudo fosse no Brasil, qual seria o desfecho?! Político cliente de prostituta de luxo renunciaria? Autoridade que faz uso de droga seria presa e cumpriria pena? E a democratização do acesso à saúde pública seria tão duramente criticada, a ponto de dividir o País? E me vejo com milhares de interrogações.

Muito antes de todo o processo de impeachment da Presidente da República, que será votado hoje, há situações que merecem atenção. Um bom exemplo foi a nomeação do deputado petista José Guimarães como líder do Governo na Câmara Federal. Em 2005, quando o escândalo ainda era o Mensalão, seu assessor foi preso no aeroporto de Congonhas, com US$ 100 mil na cueca, além de outros R$$ 209 mil guardados em uma maleta. De acordo com o Ministério Público, os dólares eram propina que Guimarães, o deputado, receberia por intermediar um financiamento. A Justiça o livrou em 2012, com o argumento de que não havia elementos que ligassem o parlamentar ao dinheiro encontrado com o assessor. Como assim?

A origem do recurso nunca foi explicada, mas o indivíduo virou líder de Governo. Nas democracias parlamentaristas européias seria o suficiente para derrubar um gabinete inteiro. Nos Estados Unidos também causaria um bom estrago. Mas aqui, redundou em que? Em nada! E como esse, muitos outros episódios que mereceriam atenção e explicações aos cidadãos acabaram inexplicados e esquecidos. Tantos que seria tedioso enumerar. O mais recente foi a nomeação do ex-presidente Lula para Ministro Chefe da Casa Civil, para lhe conferir foro privilegiado.

Independentemente do resultado da votação de hoje, estamos precisando ser bem tratados, cuidados como cidadãos e como merecedores de atenção. Desde o Mensalão à Lava-Jato, temos engolido a seco o governo dizer que “todas as doações ao partido foram feita de forma legal”. Ou então que tudo não passa “de um golpe orquestrado pela elite branca, pela imprensa e seus representantes”. Nada disso explica dólar na cueca, obstrução à justiça ou os demais absurdos que testemunhamos. Em momento algum ouvimos um pedido de desculpas, uma admissão de culpa, um “erramos”, uma postura de revisão de posicionamentos.

Pode parecer que sim, mas não somos cegos. Esse papo de eu errei porque antes ele errou também já não convence ninguém. São treze anos de governo. Já está mais do que na hora de fazer uma autocrítica – e não é para a militância, para a população mesmo. Chega desse discurso bipolar de que todos os que os criticam são coxinhas, favoráveis ao golpe militar ou eleitores do Psdb. Isso não é verdade. Independente do resultado de hoje, precisamos ser tratados com respeito.

No Brasil, um país extremamente falso moralista, se políticos que cheiram cocaína e fazem festa com prostitutas, mesmo que flagrados na situação, não sofrem qualquer sansão, imagine aqueles flagrados em corrupção!!! O senso coletivo ainda traz entranhado o “rouba mas faz” e o “isso é assim mesmo”. Estamos sentindo na pele o quanto custa essa impunidade. Está na hora de mudar! Isso não vale somente para o PT – no Supremo já são investigados PP, Pmdb, PTB, Psdb, Psb e Solidariedade.


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