Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Pensando a Cidade!

Artigo de Domingo - 25 de Setembro de 2016


24/09/2016 às 00:00

Nunca entendi o porquê da permanência, depois de tantos anos, do terminal central de ônibus na Praça da Matriz! O local não oferece segurança e conveniência aos usuários, que ficam expostos ao sol, à chuva e aos arrastões, sem ter sequer onde ir ao banheiro. E ainda fica em frente ao porto turístico da cidade. Podemos dizer, de certa forma, que ali é a “entrada” de Manaus. Precisa de um tratamento melhor, que cause boa impressão a quem chega. Mas não é o que acontece, não mesmo!

Já tive acesso a projetos técnicos para a transferência do terminal a uma outra área, próxima, com baias para embarque e desembarque, controladas e cobertas, e cercadas por uma enormidade de serviços de conveniência, inclusive banheiros. Não há dúvidas sobre o ganho que seria, tanto para os usuários, quanto para a cidade, que veria uma de suas áreas mais interessantes do centro histórico saneada. A proposta não parece ser dispendiosa. Nunca entendi porque não foi levada a cabo, ou ao menos debatida. Ao meu ver, ela seria uma prioridade.

Não entendo muitas coisas e, por isso, pesquiso e estudo sobre elas. E fico repleto de perguntas. É o caso da polêmica “faixa azul”. O simples fato dela dar prioridade ao transporte coletivo já me faz olhá-la com uma abordagem favorável. Mas na semana que passou veio à tona uma declaração do presidente da Smtu, afirmando que, dos mil quinhentos e oitenta veículos da frota de ônibus de Manaus, apenas noventa articulados utilizam-se do recurso das faixas! É inevitável se questionar o percentual de passageiros que são beneficiados pela “faixa azul”. Será que 50% de todos os usuários do sistema andam em noventa coletivos articulados? Creio que não! E se for verdade, essa malha precisa de um replanejamento para ontem. Qual a relação custo-benefício da faixa exclusiva para Manaus?

Ainda sobre as faixas, a largura das ruas permite, em geral, três faixas de tráfego, uma delas exclusiva aos coletivos. Mas os ônibus também estão na outra extremidade, porque há paradas dos dois lados. E quando estão com pressa ocupam a faixa central. E o trânsito vira um caos desnecessário. Até quando utilizaremos a desculpa de que a quantidade de carros é grande? Então, não há nada que possa ser feito? Não sou engenheiro de trânsito, mas sou cidadão. Quero entender.

Não entendo, ou não aceito, muitas coisas. Como a quantidade enorme de imóveis desocupadas no centro, invadidos por moradores de rua, dependentes químicos, etc. Abandono próximo a áreas nobres. Basta olhar ao redor do Teatro Amazonas. Não bastasse o prejuízo à paisagem urbana, há problemas para a segurança pública. E infelizmente o fato se dá não somente com imóveis privados. O prédio da Biblioteca Municipal serve lamentavelmente de exemplo. Em frente a um dos melhores hotéis do centro, numa das esquinas da Praça do Congresso, está fechado há cinco anos, sob o pretexto de um restauro, que nunca aconteceu. E o prédio é depredado todos os dias, além de servir de esconderijo a tudo o que não presta.

Entre um engarrafamento e outro, entre um olhar e outro à paisagem manauara, os cidadãos querem soluções, desejam apresentar suas reivindicações, enfim, debater a cidade que é deles. As eleições talvez fossem uma boa oportunidade para fazê-lo. Mas parecem não estar sendo. As prioridades estão sendo outras. Infelizmente. #Pensa


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.