Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Quanto Pior, Melhor?

Artigos de Domingo - 15 de Janeiro de 2017


15/01/2017 às 09:10

Às vésperas da posse de Trump como presidente dos Estados Unidos, uma coisa que me chamou atenção foi a vitória dele na Flórida, um estado com expressiva presença de migrantes de origem hispânica, em sua quase totalidade cubanos, e que foram alvo de muitos ataques por parte do candidato republicano durante a corrida à Casa Branca. Especialistas tentaram explicar que foi o voto branco que elegeu o empresário e não o voto dos latinos... Mas nenhuma teoria foi suficientemente convincente quando grupos de exilados cubanos residentes na América apoiaram as declarações de Trump de romper a reaproximação entre EUA e Cuba, caso o governo da Ilha não promovesse uma reforma mais visceral em sua forma de administrar.

Eu, pessoalmente, nunca fui fã de Fidel Castro, não concordo com governos ditatoriais, onde não há liberdade de expressão. Mas preciso reconhecer que atrás daquele governo existe um país inteiro, pessoas, as mais diversas, que merecem novas oportunidades. E que o fim do embargo comercial norte-americano a Cuba significaria muito à população. Se eu, que não tenho qualquer laço afetivo com aquele país, me sensibilizo com a questão, imagino que os refugiados, que devem ter parentes e amigos ainda residentes por lá, talvez fossem os principais interessados na reaproximação. E não estamos falando de uma segunda geração, já nascida em território do Tio Sam. NÃO! Estamos falando de refugiados, que um dia foram imigrantes ilegais, saídos da ilha naquelas grandes balsas feitas de câmaras de pneus. Sim, um dia balseiros, hoje a salvo e talvez muito pouco solidários com seu povo!

Essa atitude de “ou eles mudam de vez, ou que se dane aquela replubliqueta” assumida por grupos cubanos residentes nos Estados Unidos é extremamente perigosa. Porque o país pode se danar, o que significa dizer que as pessoas ficarão “a ver navios”, ou talvez balsas de fuga. Vai entender!!!??? O episódio me remeteu a uma outra importante decisão na América Latina, em 2016, quando os colombianos, consultados em plebiscito, disseram “não”, por 50,2%, ao acordo de paz entre o governo daquele país e as Farcs – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O país sofria há 52 anos com uma guerra interna sangrenta, mas abdicou da oportunidade da paz. Apenas 37% da população foi às urnas. E havia interesse de um grupo político no “não”, justamente para fortalecer sua imagem.

Realmente não consigo concordar com essa turma do “quanto pior, melhor”! Mas eles estão em toda parte, seja na Flórida, seja aqui, em Manaus, onde também está “flórida”. Assistimos à barbárie no sistema prisional do Amazonas no início de 2017: chacinas, com requintes de crueldade, planos para assassinar autoridades e uma série de outras situações que revelam a fragilidade do sistema penitenciário. Mas não bastasse a dura realidade, ficamos reféns de mentiras. Uma enxurrada de áudios “fake”, distribuídos por aplicativos, de notícias falsas em relação a arrastões e seqüestros, sistematicamente espalhadas, gerou pânico na população e a deixou ainda mais refém do medo. O que ganhamos com isso? Os cidadãos, em geral, nada, só têm a perder. Mas alguém deve estar lucrando com esse pânico. Sim, tenho pavor dos bandidos, mas também tenho muito medo dessa turma do “quanto pior, melhor”! #Pensa


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