Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Reencontros

Artigos de Domingo - 12 de Junho de 2016


11/06/2016 às 00:00

Dia desses reencontrei a Olenkinha, uma amiga de infância, nas redes sociais. Não lembro se formos colegas de grupo escolar no Princesa Isabel, aquele ao lado do IEA, mas com certeza estudamos juntos na aula de reforço, que na época chamávamos de aula particular, da Tia Adelaide, lá na Governador Vitório – na verdade minha prima querida, a quem eu chamava de tia! A Olenkinha morava numa casa ao lado do Rio Negro Clube, na Ramos Ferreira. No mesmo quarteirão, um pouco mais em cima, morava o Seu Xavier, colega de trabalho da minha mãe e avô da minha amiga Carol.

A Olenkinha acabou casando com o Jamil, que morava na Monsenhor Coutinho, próximo ao Maximino Correa, onde resido há 18 anos. Os pais do Jamil ainda vivem lá. Há 35, 40 anos, Manaus era bem menor e muitos moravam no Centro. O David (Israel), que também morou lá por muitos anos, na José Clemente, uma vez me disse que Manaus era talvez um dos únicos lugares do planeta onde que se encontra, num perímetro de poucos quarteirões, uma sinagoga (Leonardo Malcher), uma mesquita (Ramos Ferreira) e vários templos cristãos, católicos ou de diferentes denominações evangélicas. E todo mundo vive em paz.

Viver no centro dava certo. Mas hoje o centro muitas vezes parece, aos olhos da maioria, um grande problema. Listar os episódios que despertam a preocupação sobre a questão urbanística daquela área da cidade consumiria umas quatro páginas inteiras. Mas as soluções talvez sejam bem mais simples do que parecem. Os muitos problemas aparentes são sintomas de uma doença crônica chamada “abandono”. Com o crescimento geográfico da cidade, migramos para outras áreas. O morar, o estudar, o conviver, o viver deixaram o centro, para dar lugar a um vazio repleto de obrigações enfadonhas, bancárias e comerciais.

Ir ao centro? Só em último caso e se for para... E todo mundo se queixa de falta de estacionamento, do assédio de flanelinhas. Mas há um inventário enorme de imóveis, desocupados ou subutilizados, esperando investidores, até mesmo para servirem de estacionamentos. Resolver o imbróglio da região central só se dará pela cura do abandono crônico de ocupação e passa necessariamente pelo retorno da moradia. Espaço e gente querendo morar é que não falta. Entretanto, é necessário um programa, uma política pública, que estimule essa volta ao centro através, inclusive, de incentivos tributários e facilidades no desembaraço de processo de licenciamento para construção e ocupação.

Estou falando isso porque o problema é evidente. E estamos às vésperas das eleições municipais para prefeito e vereador. Tenho impressão que muitos cidadãos gostariam de ver o tema na pauta das discussões e propostas por uma cidade melhor e mais justa aos seus moradores. Apesar de gostarmos, muitos de nós, do “Game of Thrones”, não queremos assistir a uma eleição que se assemelhe a uma simples disputa territorial, para ver quem vai reinar na área pelos próximos anos. Não queremos uma guerra de grupos, uma simples competição entre quem quer ocupar o poder, sem qualquer identidade específica dos concorrentes, a não ser o nome e o sobrenome.

Também não queremos as velhas promessas sem conteúdo, do tipo “melhorar o transporte coletivo”. Se diz que vai melhorar, tudo bem, é necessário e urgente, mas queremos saber a forma, o prazo, o cronograma e com que recurso. “Por uma Manaus melhor” – tá bom, mas como? Qual é a receita, ingrediente por ingrediente? É hora de pensar e propor soluções, práticas e efetivas. Precisamos nos reencontrar com a cidade! #Pensa


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