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Reflexões da Ilha

Crônicas de Domingo - 08 deJulho de 2018 08/07/2018 às 00:00 - Atualizado em 08/07/2018 às 07:01
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Passei seis dias em Parintins, durante o Festival, para a realização de um trabalho jornalístico. Trouxe na bagagem uma série de informações e reflexões, que estão para muito além da festa. Uma das que mais me chamou atenção dá conta que 964 parintinenses se deslocaram para São Paulo e Rio de Janeiro, no período que antecede o carnaval, desde dezembro de 2017: 400 foram para a capital carioca e 564 para a metrópole paulistana, para trabalharem. Fico imaginando que atividade econômica é capaz de gerar tantas vagas de trabalho temporária com tão pouco investimento.

Na indústria, gerar um emprego exige milhares de dólares. E muitas vezes, por mais que o faturamento aumente, a reversão da lucratividade em potencial empregador não acontece. Bom exemplo disso é a Zona Franca de Manaus. Mas as atividades turísticas e de lazer e entretenimento têm outra lógica. Basta pensar nos 11 camarotes do circuito Barra-Ondina, em Salvador, durante  a folia momesca: proporcionam 11 mil vagas temporárias. A prefeitura de Parintins estima a criação de 6 mil postos, em função do Festival: 5 mil para os moradores da cidade e mil para trabalhadores que vêm de outros municípios.

Também é destaque a arrecadação: dados oficiais dão conta que 65% de toda a arredação parintinense aos cofres públicos está diretamente relacionada ao evento, seja aos três dias da festa, seja a outros acontecimentos ou fatos relacionados ao tema. Isso quer dizer que, a cada R$ 10 de recurso público próprio, R$ 6,50 são gerados pelas atividades turísticas e culturais. Um claro indicativo de que eis aí um campo fértil à economia, que precisa receber mais investimentos, para ampliar sua lucratividade. Infelizmente, o único grande evento daquela cidade é o boi, no último final de semana de junho. Mas a realidade pode ser mudada, a partir do incentivo ao carnaval, à festa de Nossa Senhora do Carmo, e até a criação de um “boi fora de época”! Será que alguém já pensou no assunto?

Sair da zona de acomodação e se lançar a novos desafios, estabelecer novas metas, são uma necessidade urgente aos gestores de Parintins e aos gestores do Amazonas, ao pensarem no Festival. No ano em que o Bumbódromo completou 30 anos – e muitos diziam que seria um elefante branco, e que marca os 23 anos de patrocínio master da Coca Cola, fica claro que é fundamental planejamento e ousadia para que a festa avance, não morra, ou caia no ostracismo. Qual será o próximo passo? Alguém tem em mente que a presença da Coca Cola está ameaçada, em razão dos ataques à ZFM e ao polo de concentrados de refrigerantes? Temos um plano “B”? Ou vamos deixar tudo para resolver em cima da hora, quando já tivermos sido engolidos pelos fatos? Parintins não tolera mais amadorismo ou improvisação. Está na hora de se ter um tratamento profissional. #Pensa