Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Reserva Ducke invadida: o poder fatiado

Numa cidade como Manaus, que dedica pouquíssima atenção às questões do meio ambiente natural, a simples suspeita da vitimização da reserva florestal já é um desastre.


28/09/2019 às 14:00

A semana nos reservou notícias bastante complicadas. A que mais me chamou atenção foi a ameaça ou a possível invasão à Reserva Florestal Adolpho Ducke. Numa cidade que dedica pouquíssima atenção às questões do meio ambiente natural, a simples suspeita da vitimização daquela área já é um desastre. Aqui, até os melhores projetos não privilegiam a questão ambiental; basta lembrar dos nossos igarapés, onde a questão urbanística foi resolvida, mas e os cursos d’água? Enquanto isso, São Paulo aposta num projeto que já dura décadas para a despoluição do Rio Tietê.
Fico imaginando uma comparação entre o Tietê e o Quarenta, o Mindú... será que somos tão mais poluídos que se torna impossível ou inexequível qualquer esforço de recuperação? E acredite: São Paulo já alcançou muitos bons resultados. Também me choca o título de segunda pior capital brasileira em arborização, mesmo estando no centro da floresta amazônica. Esses e outros indicativos só fazem crescer a importância da Reserva Ducke.
A Reserva cobre 10 mil hectares de floresta tropical úmida na periferia de Manaus, no divisor de águas de duas principais bacias de drenagem: um para o Rio Amazonas e o outro para o Rio Negro. E se vê ameaçada pela invasão conhecida como Monte Horebe. O Inpa declarou que ocupação irregular não chegou à área delimitada como Reserva Florestal, mas está dentro da APA Adolpho Ducke, criada pela prefeitura de Manaus. De qualquer forma, o perigo está ali, na ilharga.
Corre, à boca miúda, talvez nem tão miúda assim, que a invasão, de grandes proporções, é bancada por uma facção criminosa e que organiza, inclusive, áreas exclusivamente voltadas à moradia de imigrantes. Há narrativas de narcotraficantes fazendo o patrulhamento e a “portaria” do Monte Horebe. Já falam inclusive sobre carvoarias que funcionam dentro da invasão. Aos poucos vemos o mesmo poder paralelo presente nas favelas cariocas se instalar também por aqui.
A realidade é que estamos cercados. Há uns três anos, acompanhei a história de um casal que tentou um “terreninho” numa das invasões do Tarumã. Lá não havia traficantes, mas sim uma carteirinha de invasor dada por dois políticos, com mandato, sob a alegação de garantia de titularidade da área. Fatalmente os veremos nas próximas eleições municipais, candidatos ou apoiadores de alguém. Há facções para onde se olha... #Pensa


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