Terça-feira, 31 de Março de 2020

Rolam os Dados

O modelo ZFM é rentável e bastante eficiente. Das opções colocadas à mesa, é infinitamente mais seguro que o agronegócio e que a indústria de extração mineral


15/02/2020 às 12:00

Semana de assuntos complexos e indigestos, alguns mesmo coletivamente dolorosos. Mas minha semana foi salva, quanto às pautas e assuntos, por uma pesquisa que tive que fazer para a elaboração de um documento de captação de investimentos. E me deparei com alguns dados bastante surpreendentes. O primeiro deles foi que o PIB da Região Norte cresceu 2,7% em 2018, o mesmo índice de crescimento do Amazonas, enquanto a economia nacional cresceu 1,1%, segundo estudos desenvolvidos por um dos maiores bancos privados do país. Enquanto isso, o Nordeste cresceu 1,2%, o Sudeste 1,0% e o Centro Oeste 0,1%.

De acordo com projeções para 2019, feitas pela Tendências Consultoria, a região Norte foi a única a conseguir retomar o nível que sua economia tinha antes da recessão que derrubou o Produto Interno Bruto brasileiro em 2015 e 2016. Estima-se um crescimento do norte em 3,2% no ano passado. A produção industrial do Amazonas cresceu 4% em 2019, em contraposição à queda de 1,1% da média nacional. O Estado registrou a segunda maior taxa de crescimento do País. O Pará, que tem investido forte na indústria extrativa de minérios e vinha ostentando bons resultados financeiros, também apresentou queda na produção industrial da ordem de 1,3%.

Aliás, a produção industrial brasileira caiu em sete dos 15 locais pesquisados pelo Ibge em 2019. As maiores quedas foram em Minas Gerais (-5,6%) e Espírito Santo (-15,7%), estados que investem na mineração. As indústrias instaladas em Manaus registraram um faturamento de R$ 86,7 bi de janeiro a outubro de 2019, com crescimento de 11,57% em relação ao mesmo período de 2018. De 2017 para 2018 já contabilizávamos um crescimento de 12,9%. O desempenho de 2019 foi o maior já registrado em moeda nacional pela indústria manauara.

As vendas do comércio amazonense ano passado acumularam alta de 7,9%, a terceira maior variação do país, bem acima da média nacional (1,8%) para o ano. No segmento de serviços, o Amazonas obteve a maior variação positiva entre os estados brasileiros, com crescimento acumulado de 3,9% no volume; a receita nominal de serviços aumentou 9,1% no Estado, representando também o maior avanço nacional. Mais uma vez, o desempenho ficou bem acima da média nacional de crescimento de apenas 1,0%.

Não quero parecer ufanista e empolgado, mas não posso deixar de ficar impressionado com a relevância desses dados, que permitem chegarmos a uma série de conclusões. Primeiro, que o modelo ZFM é rentável e bastante eficiente, eficaz e efetivo. Se ele não tem um melhor desempenho em relação à distribuição de benefícios à cidade e à população, é por deficiência nossa, inclusive no tocante à sustentabilidade. Que, das opções colocadas à mesa, ele é infinitamente mais seguro que o agronegócio e que a indústria de extração mineral – além da queda da indústria paraense, fortemente baseada na mineração, há ainda os índices ambientais, sem termos de comparação entre os dois estados. E que, às vésperas da reforma tributária tramitar no Congresso Nacional, temos munição de sobra para nossa defesa. Resta saber se a Federação será nossa aliada ou nossa inimiga! Vamos à luta! #Pensa


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