Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Santa Providência

Artigo de Domingo, 23 de Outubro de 2016


23/10/2016 às 00:00

Toda vez que vejo o prédio da Santa Casa de Misericórdia fico viajando, imaginando uma infinidade de coisas. Uma edificação histórica, importante para a cidade, ocupando quase que um quarteirão inteiro, no trecho mais bonito da paisagem urbana, vizinho ao Palácio da Justiça, ao Teatro Amazonas... Está quase que desmoronando: já não tem telhado, várias janelas caíram e deixam transparecer a fina sustentação de suas paredes.

O imbróglio todo acontece porque se trata de um prédio de propriedade privada, onde o poder público não tem autonomia. E nesse ritmo seguimos, vendo o tempo passar e a construção ruir, até o dia em que uma parte desabar. Parece que precisamos disso: que as coisas sejam destruídas, para podermos dar-lhes o devido valor. Assim foi com o Guarany, com o Rodway e, infelizmente, assim parece que será com o prédio da Santa Casa.

Dizem que a administração da sociedade que detém a propriedade do prédio é jogo duro e não abre mão do espaço. E fico imaginando como é que se faz jogo duro quando a dívida de Iptu da instituição deva ser semelhante, ou maior, que o valor do imóvel, em seu atual estado de conservação. Nessas horas, onde estão os executivos municipal e estadual, que podem desapropriar por interesse público? Onde o Iphan, que autua até obra de recuperação de fachadas? Será que o órgão só age contra aquilo que constrói, e nunca contra o que destrói? Ou alguém se esqueceu do episódio do Mercado Municipal?

Olho para aquele prédio e viajo. Se já não serve para ser uma unidade de saúde, sua grandiosidade e importância poderiam abrigar muita coisa. A exemplo de um “Visitors Center”, um centro de visitantes daquela área. Onde se poderia fazer a estação para as saídas e chegadas dos city tours, coberta e climatizada. Com a conveniência de se ter serviços de interesse do segmento, desde souvenirs e artesanato, a restaurantes de comida típica: o espaço é tão grande que cabe mais de um. Poder-se-ia até pensar em um espaço reservado para contar, em meio digital, a história do crescimento da cidade, com os mapas de diferentes épocas, sinalizando os prédios do entorno e suas épocas.

Quem sabe as sedes de Manauscult e Amazonastur, que vivem de aluguel, não pudessem ser transferidas para aquele complexo, justamente na área de maior interesse turístico da cidade? Isso facilitaria em muito a instalação, no novo Complexo Santa Casa, de um posto de informação turística. Seria possível organizar excursões guiadas a pé, com roteiros pré-estabelecidos. Imaginem o poder irradiador que a iniciativa teria para os quarteirões no entorno do prédio e para todo o centro!!!

Uma experiência bem sucedida talvez desencadeasse um plano de desapropriação dos imóveis abandonados, que receberiam as intervenções necessárias de obra civil e, posteriormente, teriam seu uso licitado para empreendimentos privados com fins previamente estabelecidos, favorecendo um mix à reoxigenação do centro. Quem sabe não resgatássemos até o Complexo Booth Line, outro que está prestes a ruir? Ah, sonho que as pessoas venham ao centro em horários e dias alternativos, muito mais que para se acotovelar num evento, uma vez por ano, e comer em pé comidinhas em barracas. Sonho muito, contigo e por ti, Manaus, todos os dias. Feliz Aniversário. Que os anos vindouros sejam a ti mais prósperos! #Pensa

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