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Saudade de 80

Crônicas de Domingo - 15 de Julho de 2018 15/07/2018 às 00:00 - Atualizado em 15/07/2018 às 08:45
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Sexta-feira, 13, Dia Mundial do Rock e eu acordei saudoso dos anos 1980. Despertei com uma estante inteira de lembranças e memórias daquela década.  Em 1980 eu tinha 14 anos, cursava a oitava série e, em dez anos, eu estaria graduado em Direito, cursando Comunicação e provendo meu sustento, aos 23. Foram anos sensacionais, também para o rock nacional e para a música brasileira. Vou citar Legião Urbana e Renato Russo, além de Barão Vermelho e Cazuza, só para dar a dimensão da grandeza daquele tempo.

Quase 3 décadas depois, estou às vésperas de completar 52 anos e o cenário musical brasileiro é pop, mas descartável, passageiro. Imagino que canções feitas hoje estaremos entoando daqui a 10, 20 anos!!!???. Ainda fazemos coro às baladas de Renato e Cazuza e elas soam como um hino, uma declaração de princípios e de propósitos. Parece que não envelheceram. Parafraseando Zuenir Ventura: 1980, a década que não acabou.

Comentei o sentimento com um amigo e ele foi categórico: “isso é coisa de velho, rsrsrsrs, não comente com ninguém”. Mas pensando bem, aos 52 eu estou bem melhor do que aos 23: fisicamente bem mais saudável, infinitamente mais em forma. Deixei de ser um “nerd” tímido e gordinho. Estou em paz com minha aparência, com meu corpo. E ainda mais em paz com a vida adulta, que me ofereceu e oferece oportunidades de realizar sonhos, de aprender novas coisas, e alimentar novos desejos e objetivos. Vivi e vivo tudo aquilo que me foi possível. Daquele garoto da década de 80 não sobrou nem o RG. O projeto mudou, cresceu e deu certo. E eu diariamente agradeço por estar vivo.

Mas o sentimento de nostalgia permanece e me incomoda, para muito além da cena musical. Se os sucessos do momento soam vazios e não apontam para uma vida longa, o que dizer de nós, sociedade brasileira, nação tupiniquim? Aqueles, os 80, foram anos em que havia um sentimento uníssono de brasilidade, em busca de novos horizontes, onde a liberdade e a democracia eram pautas obrigatórias de nossos desejos, independente de nossas diferenças.

Lá, redemocratizamos o país, saímos do regime ditatorial militar, fizemos uma nova constituição, devolvemos aos cidadãos o direito ao voto direto e universal, anistiamos os presos e exilados políticos. E principalmente queríamos ser e deixar que o outro viesse a ser o que ele queria ser. Se havia um conflito, talvez ele se limitasse a ser de gerações, o que parece normal, pela natural atitude dos jovens de romper antigos credos e práticas. Se não for assim, não é a juventude. Hoje, entretanto, vejo jovens engajados em projetos ultraconservadores, bradando por intervenção militar e contra a liberdade de imprensa. E o país é recheado de conflitos em todos os segmentos, sem a menor perspectiva de diálogo. Onde foi parar tudo aquilo agora, meus anos 80? Assim, minha saudade se justifica e parece se aprofundar! #Pensa