Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019

Sobrevivendo às perdas....

Crônicas de Domingo - 3 de fevereiro de 2019


02/02/2019 às 00:00

Menos de 40 dias decorridos de 2019, e o assunto principal na Economia, pelos lados daqui, nessa margem do rio, não foi nem é outro senão a Zona Franca de Manaus. Há muitas perguntas ainda sobre o tratamento que será dado ao modelo pelo governo federal, a despeito dos compromissos de campanha e pós campanha da atual gestão. Temos um superintendente da Suframa indicado, o coronel da reserva do Exército Alfredo Menezes, mas não nomeado, pelo menos até o fechamento deste artigo. E temos muitas dúvidas, a despeito da renovação dos incentivos fiscais da Sudam, que afetam diretamente o polo industrial de Manaus.

Em meio a toda essa confusão, uma coisa é certa: precisamos encontrar alternativas de desenvolvimento sustentável, enquanto há tempo! De nada adiantará estacionar na defesa da ZFM e não avançar na diversificação econômica, até porque há a necessidade de gerar vagas de trabalho e democratizar a distribuição de renda, itens em que a indústria não se mostra eficaz, pela própria natureza da atividade. O dilema talvez resida em saber quais são as alternativas, em se considerando todas as características do Amazonas.

O patrimônio ambiental sem sombra de dúvidas será o grande balizador para esses novos caminhos a serem percorridos. Ouve-se falar muito do extrativismo, especialmente o mineral, e eu me pergunto se a gente tem memória curta! Se tem, Brumadinho está bem recente e não pode ser esquecido. Desde antes do Governo Temer, o lobby para a flexibilização da mineração na Amazônia é tão grande quanto a demonização dos ambientalistas e das organizações que tratam da matéria.

Já falamos por aqui e é sempre bom lembrar que 4 das 5 maiores empresas do Pará são mineradoras norueguesas. Qualquer fragilização da economia do Estado abre espaço à entrada delas em nossa grande aldeia. Ainda está por completar um ano, no próximo de 16 de fevereiro, a invasão dos rios Mucuripe e Tauá, em Barcarena, no Pará, por uma lama vermelha que atingiu toda aquela área, fruto de vazamento de rejeitos químicos da mineradora Hydro Alunorte, a maior refinaria de bauxita do mundo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Evandro Chagas, vinculado ao Ministério da Saúde, atesta que a simples atividade mineradora já libera elementos altamente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente natural.

Temos Mariana, temos Brumadinho, temos aqui perto Barcarena, a nos lembrar, enquanto cidadãos, que gerar receita a partir do adoecimento do nosso povo e do prejuízo ao meio ambiente não é um bom negócio, pelo menos não para os cidadãos. No outro extremo, surge o Turismo como alternativa à composição da matriz econômica do Estado. Turismo que demanda de um plano estratégico de investimentos em infraestrutura, qualificação e promoção do destino; que demora cerca de dois anos para apresentar os primeiros resultados e que tem um compromisso com a preservação ambiental.

Turismo, a mim me parece, ser umas das saídas mais eficazes. Mas precisamos fazer a nossa parte. Só para se ter uma ideia, a região do Largo de São Sebastião, entre as ruas Dona Libânia, Lobo D’almada, Monsenhor Coutinho e Dez de Julho reunirá, até o final de 2019, 9 meios de hospedagem, que totalizam 814 leitos. A quantas andam as calçadas, a iluminação pública, a limpeza urbana, a segurança e o paisagismo, os cuidados urbanos daquela pequena porção de cidade? E o abandono de imóveis e invasão dos passeios públicos pela venda ambulante? Sim, há caminhos, mas precisamos fazer a nossa parte. #Pensa


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