Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Sonho Feliz de Cidade?

Artigo de Domingo - 12 de Março de 2017


12/03/2017 às 00:00

 

Já está anunciado e que ninguém duvide: a cidade de “São Paulo terá o maior Carnaval do País”. E não se trata de “bravata” ou de marketing político do atual, ou do ex-prefeito. Independentemente de Dória, ou de Haddad, o “túmulo do samba”, apelido dado por Vinícius de Moraes à capital paulista, será a cidade com o maior número de pessoas envolvidas nos eventos carnavalescos, tanto no tradicional desfile das escolas de samba, quanto nos blocos de rua.

E se há duas décadas essa pareceria uma notícia improvável, até mesmo impossível, Sampa prova que tudo depende de planejamento e investimento. Só para se ter uma idéia, o balanço financeiro da edição 2016 do carnaval paulistano deixou um saldo positivo superior a R$ 400 milhões, gerados a partir somente de negócios que envolvem o evento. A Prefeitura divulgou que, naquele ano, para cada R$ 1 investido, a cidade tinha um retorno da ordem de R$ 40.

Da “dura poesia concreta de suas esquinas”, a maior cidade brasileira não pára de crescer, nem de se reinventar, desmentindo paradigmas e mostrando que as possibilidades são infinitas. Há quem diga que para isso basta dinheiro. Mas não é verdade! É necessário planejamento estratégico, vontade política, gestão competente e continuidade de ações. Não duvido nada um dia eles se lançarem como a capital mais humanizada do País, ou até mesmo como uma referência em sustentabilidade e meio ambiente. Alguém duvida?

Na São Paulo que pensa o futuro, tanto do aspecto urbano, como do ponto de vista humano, discussões e decisões pouco previsíveis são tomadas. Um bom exemplo é a história da demolição do Minhocão, uma via expressa elevada, que liga a Praça Roosevelt ao bairro de Perdizes, construído com a promessa de agilizar a mobilidade entre as regiões leste, oeste e central da cidade. Quarenta e três anos depois de sua inauguração, com um tráfego de 70 mil carros por dia em horário controlado, discute-se sua possível demolição.

A partir de um dispositivo no Plano Diretor Estratégico da capital paulistana, documento reconhecido pela ONU como um exemplo a ser seguido mundialmente, há a margem para se por fim àquela obra da “modernidade urbana”, tudo em nome da qualidade de vida. Na maior metrópole nacional, ainda se alimenta um “sonho feliz de cidade”. E se trabalha para isso, mesmo com todos os contrastes que marcam seu tecido urbano.

Confesso que morro de inveja. Na Manaus dos trópicos, que adora bradar as grandezas dos rios e florestas, ainda amargamos um dos piores índices de arborização do País. Falta apoio aos eventos de cultura popular, que não são vistos como oportunidades, mas como gastos – mesmo que eles sejam nacionalmente conhecidos. Durante a semana tive a infeliz surpresa de me deparar com a notícia de que a Prefeitura Municipal está com seus titulares em Brasília, a busca de alternativas à mobilidade urbana e falando de “aeromóvel”, um novo nome para o velho e malfadado monotrilho, que tantos prejuízos pode trazer a Manaus, tanto pelo alto custo da obra, quanto pelas interfaces que necessariamente terá. Pra que insistir numa obra tão cara, que não é autossustentável e que prejudica as edificações urbanas por onde passa? Pra que? Pra quem? Quando teremos nosso sonho feliz de cidade? #Pensa


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