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Tá comemorando o que?

Artigos de domingo - 07 de Maio de 2017 06/05/2017 às 00:00 - Atualizado em 06/05/2017 às 20:08
Show bonequinho em pe

O assunto é inevitável: o TSE cassou o mandato do governador e do vice-governador do Amazonas. E determinou eleição imediata e direta para ocupação do cargo. O Tribunal Regional Eleitoral já anunciou que estará pronto pra realizar a eleição no primeiro domingo de agosto, dia 6, ou seja, em três meses. Caso a disputa não se resolva no primeiro turno, com um dos candidatos obtendo a maioria absoluta dos votos, teremos a decisão transferida para o último domingo de agosto, dia 27.

Serão praticamente 4 meses, ou 110 dias, para a posse do novo governador, que disporá então de um mandato de um ano e quatro meses para exercer sua gestão. E não podemos esquecer que, a partir de Abril de 2018, ele já sofrerá todos os impedimentos impostos pela Lei Eleitoral. A decisão foi tomada e é irreversível. Acompanhei, perplexo, a reação da população nas redes sociais: alguém acha realmente que essa eleição de última hora vai resolver alguma coisa em favor dos cidadãos do Amazonas?

Independente de realizar uma avaliação de governo, do que foi certo, ou errado, a descontinuidade, para uma nova eleição, que custará R$ 17 milhões, às vésperas de uma outra, só faz travar o Estado. Tudo ficará parado e nada se resolverá, até mesmo pela proximidade da vigência da legislação que rege o certame e dita uma série de restrições ao gestor – inclusive quanto a contratar, demitir e conceder correções salariais. E diga-se: a regra se aplica, tanto ao mandato tampão, quanto às eleições de 2018. Mas tem muita gente celebrando, e eu ainda não entendi o que?! Uma verdadeira histeria digital.

Há que se reconhecer também que, em meio a uma crise econômica avassaladora, que provocou a quebra de muitos estados da federação, o Amazonas permaneceu estável. Honrou os salários do funcionalismo público, quando a maioria está atrasando e parcelando o pagamento. E se destacou pela manutenção do equilíbrio fiscal. A queda de arrecadação dos cofres públicos redundou no não pagamento da data base de algumas categorias, é verdade. Mas é necessário se perguntar: num momento de exceção, qual é a prioridade? O coletivo, ou determinados segmentos? Fazer esse questionamento, mesmo que provoque protestos, é fundamental.

E o pior: votaremos em nomes, e não em propostas. Estamos carentes de modernidade, de um debate mais ampliado acerca das prioridades estaduais, de metas e estratégias. Precisamos de uma forma diferente de encarar a gestão pública! A campanha provavelmente se dará com os velhos discursos requentados em favor da Zona Franca, da produção rural (que nunca acontece), falando de ações pontuais, e não de políticas públicas de médio e longo prazo. E nada se resolverá! Alguém ainda acha que uma eleição para um governo de 16 meses resolverá alguma coisa, ou trará algum alento? Não, não dá pra celebrar. A única vantagem será em favor dos candidatos à eleição de governador em 2018: quem emplacar um aliado nas eleições de agosto, saí na

frente! Tá celebrando o que mesmo? #Pensa