Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

#TBT

Crônicas de Domingo - 17 de Junho de 2018


17/06/2018 às 00:00

Com toda essa movimentação de Copa do Mundo, é impossível não se transportar para quatro anos atrás, quando Manaus foi uma das subsedes da primeira fase da competição. Vivemos um debate público nos anos que antecederam as partidas do torneio sobre a incapacidade do poder público em resolver problemas e mediar tensões urbanas. Havia um temor de sermos um grande fracasso. Receberíamos ingleses, italianos, camaroneses, croatas, norte-americanos e portugueses numa cidade que a nós, cidadãos habitantes, desagradava em muito, distante anos-luz de um sonho feliz de cidade.
Lembro do primeiro dia, quando a cidade já recebia os torcedores internacionais. Saí de casa para ver como tudo estava funcionando e o centro fervilhava. Fui ao olho do furacão, nos bares, restaurantes e praças da região central e me surpreendi. Tudo funcionava muito melhor do que esperávamos. Os hotéis e os locais todos lotados, mas tudo funcionava. Com o passar dos dias, fomos percebendo que as coisas se encaixavam de maneira ainda mais eficaz e que a cidade estava feliz e fazia ainda mais feliz quem a visitava.
Terminamos a fase de subsede com um enorme sentimento de que éramos capazes, que tínhamos nos saído muito bem e nutrindo enormes esperanças. Fomo capa da publicação da Fifa no meio da competição, com a manchete “Amazing Manaus”. O presidente da organização chegou a declarar que estava arrependido de não ter escalado Manaus para a segunda fase dos jogos. Apenas a derrota brasileira foi capaz de abalar nossa moral. Mas saíamos de todo aquele processo fortalecidos, sedentos de novos horizontes turísticos e urbanos. Se deu certo daquele jeito, imagina com um cuidado melhor, mais detido. E quem viveu, sente enormes saudades daquela efervescência.
Já se foram quatro anos e tentei rememorar o que ficou de legado, ou o que aproveitamos de bom daquela experiência para transformar em resultado. Mas chego à triste conclusão de que nada, ABSOLUTAMENTE NADA ACONTECEU. Nosso maior legado são os R$ 700 mil de despesa fixa mensal da Arena da Amazônia, que o faturamento é incapaz de cobrir. Toda aquela promessa de um espaço autossustentável etc & tal redundou em nada e o prédio é deficitário, o que na linguagem popular se diz como um “elefante branco”, sim, um elefante lindo, que custou R$ 669,5 milhões e dá uma despesa anual de R$ 8 milhões e 400 mil aos cofres públicos.
Tentei ainda saber se, pelo menos, o número de turistas havia aumentado. Procurei os dados por dois dias junto aos órgãos oficiais e, pela resposta, que não chegou, dá pra concluir que não, não conseguimos capitalizar aquele ótimo desempenho em um maior número de visitantes nos anos subsequentes. Bem, quanto à cidade e ao tratamento dado a ela, alguém acha que está melhor? Somos capazes como sociedade, mas nos falta atitude e profissionalismo. #Pensa
[12:19, 15/6/2018] Orlando Camara: #TBT

Com toda essa movimentação de Copa do Mundo, é impossível não se transportar para quatro anos atrás, quando Manaus foi uma das subsedes da primeira fase da competição. Vivemos um debate público nos anos que antecederam as partidas do torneio sobre a incapacidade do poder público em resolver problemas e mediar tensões urbanas. Havia um temor de sermos um grande fracasso. Receberíamos ingleses, italianos, camaroneses, croatas, norte-americanos e portugueses numa cidade que a nós, cidadãos habitantes, desagradava em muito, distante anos-luz de um sonho feliz de cidade.
Lembro do primeiro dia, quando a cidade já recebia os torcedores internacionais. Saí de casa para ver como tudo estava funcionando e o centro fervilhava. Fui ao olho do furacão, nos bares, restaurantes e praças da região central e me surpreendi. Tudo funcionava muito melhor do que esperávamos. Os hotéis e os locais todos lotados, mas tudo funcionava. Com o passar dos dias, fomos percebendo que as coisas se encaixavam de maneira ainda mais eficaz e que a cidade estava feliz e fazia ainda mais feliz quem a visitava.
Terminamos a fase de subsede com um enorme sentimento de que éramos capazes, que tínhamos nos saído muito bem e nutrindo enormes esperanças. Fomos capa da publicação da Fifa no meio da competição, com a manchete “Amazing Manaus”. O presidente da organização chegou a declarar que estava arrependido de não ter escalado Manaus para a segunda fase dos jogos. Apenas a derrota brasileira foi capaz de abalar nossa moral. Mas saíamos de todo aquele processo fortalecidos, sedentos de novos horizontes turísticos e urbanos. Se deu certo daquele jeito, imagina com um cuidado melhor, mais detido. E quem viveu, sente enormes saudades daquela efervescência.
Já se foram quatro anos e tentei rememorar o que ficou de legado, ou o que aproveitamos de bom daquela experiência para transformar em resultado. Mas chego à triste conclusão de que nada, ABSOLUTAMENTE NADA ACONTECEU. Nosso maior legado são os R$ 700 mil de despesa fixa mensal da Arena da Amazônia, que o faturamento é incapaz de cobrir. Toda aquela promessa de um espaço autossustentável etc & tal redundou em nada e o prédio é deficitário, o que na linguagem popular se diz como um “elefante branco”, sim, um elefante lindo, que custou R$ 669,5 milhões e dá uma despesa anual de R$ 8 milhões e 400 mil aos cofres públicos.
Tentei ainda saber se, pelo menos, o número de turistas havia aumentado. Procurei os dados por dois dias junto aos órgãos oficiais e, pela resposta, que não chegou, dá pra concluir que não, não conseguimos capitalizar aquele ótimo desempenho em um maior número de visitantes nos anos subsequentes. Bem, quanto à cidade e ao tratamento dado a ela, alguém acha que está melhor? Somos capazes como sociedade, mas nos falta atitude e profissionalismo. #Pensa


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