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Torcida

Crônicas de Domingo - 24 deJunho de 2018 24/06/2018 às 00:00 - Atualizado em 24/06/2018 às 07:20
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Enquanto escrevo, ouço pelo rádio a narração da partida do Brasil com a Costa Rica. Talvez, ao terminar essas linhas, eu ainda não saiba o placar final do jogo! E talvez seja melhor dessa maneira. Independente do resultado, continuo sendo brasileiro, torcendo pelo meu país, em qualquer ocasião, seja na condição que for! Pode parecer um clichê, um lugar comum, mas sou assim. Nunca fui da tese do “quanto pior melhor”.

Gosto da egrégora, do coletivo, desse sentimento de equipe, de time, que nos reúne em torno de uma só vibração, com um alvo, um objetivo! Ou até com muitos sonhos a realizar! Da alegria de saber que posso contar com a pessoa ao lado, e de estar à disposição dos companheiros de grupo. Como nos versos do poeta Drummond: “olho meus companheiros, estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”

Esperanças, sonhos, companheiros, mãos dadas… palavras que podem construir novas realidades quando postas em movimento. Mas percebo, entristecido, que estamos mais cínicos, debochados, descrentes. Observando, constato que preferimos fazer a piada, tirar o sarro, mesmo sendo destrutivos, a verdadeiramente torcer. Parece que estamos num grande plano de autossabotagem: pode dar certo? Quem se importa? A prioridade é outra. A ordem do dia é fazer piada, é rir de nós mesmos, nos expor, mesmo que ao ridículo. E se falarem mal, faremos coro!

Se ganharmos ou não ganharmos a Copa do Mundo, talvez o maior impacto seja sobre a imagem do Brasil no exterior! Mas esse sentimento não é exclusivamente direcionado à Copa ou ao futebol, o esporte mais popular do mundo. Carregamos essa porção rancorosa em nossa rotina, como um mantra. Saímos por aí, nos agredindo, nos ofendendo, transformando situações passíveis de diálogo e de encontro de soluções em debates infrutíferos, que apontam para nada, a não ser ao caos.

Às vésperas de uma eleição tão importante, que dará os rumos da nação, eis aí um sentimento destrutivo, que não soma, nem multiplica, apenas subtrai. Estamos entrando em campo para sermos derrotados, estamos nos sabotando. E quem ganha com isso? Ninguém! Até agora, já no segundo tempo de jogo, o placar continua zero a zero. Seja qual for o resultado, continuarei brasileiro, torcendo para que sejamos bem sucedidos. Na Copa e nas eleições. E você? #Pensa