Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019

Transporte, trânsito e (i)mobilidade: como desatar esse nó em Manaus?

Há problemas de toda ordem, tanto estruturais, quanto de incompetência ou desinteresse, para tratar das questões que afetam diretamente a vida do cidadão manauara.


30/11/2019 às 12:35

Das muitas coisas que falamos por aqui ao longo do ano, “transporte, trânsito e mobilidade” foram das que mais repercutiram entre os leitores. São conceitos distintos entre si mas estreitamente relacionados e interdependentes: dificilmente teremos uma boa mobilidade com um transporte público ineficaz, ou um trânsito desorganizado. Durante a semana que passou tive a oportunidade de conversar com um especialista no assunto e confirmar que a ressonância não é gratuita.

Há problemas de toda ordem, tanto estruturais, quanto de incompetência ou desinteresse, para tratar das questões que afetam diretamente a vida do cidadão manauara. Basta ver o transito de veículos, que deixou de ter hora certa para ser lento e aborrecido – parece que falta rua para tanto carro. Manaus hoje tem uma frota aproximada de 800 mil veículos, entre leves, de duas rodas e pesados. Se fizermos um corte apenas para os carros de passeio, chegaremos a 500 mil circulando diariamente. Fala-se em 60 ou 80 mil transportes por aplicativo, pelo menos cadastrados, ou seja, mais de 10% do total de carros nas ruas. Mas o número não é oficial, já que não há dispositivo legal que obrigue a publicidade da informação.

Por muitos anos, o dispositivo da lei orgânica que tratava do transporte de passageiros por taxis estabelecia o número de placas condicionado ao quantitativo da população. Falava-se em 4 mil, no máximo. E agora temos pelo menos 60 mil carros por aplicativo!? E o pior, a lei específica para esse tipo de transporte em Manaus, sancionada em 2019, ainda aguarda regulamentação. E não estabelece qualquer limitador: idade de veículo, placa local... nada disso! É necessário que haja regras, tanto para o bom andamento do trânsito, quanto para o bem dos usuários e dos próprios motoristas de app!

Enquanto isso, quem parece estar se dando bem mesmo são as locadoras que fornecem carros para esse serviço. Basta observar a expansão significativa delas – está a olhos vistos. Elas lucram com a falta de regulamentação e de pressa para fazê-lo. Aliás, há quem argumente que o transporte por aplicativo tira passageiros inclusive do transporte coletivo urbano.

Sobre transporte coletivo, apurei que em 2012 o sistema tinha 17,5 milhões de passageiros equivalentes por mês, mas que hoje, sete anos depois, com a população de Manaus crescendo, amarga 12 milhões, uma redução de 31%. Quais as razões? Bem, raras vezes ouvi falar sobre isso, mas não resta dúvida que é uma informação importante, até para se encontrar saídas à crise. Aliás, que soluções têm sido propostas? Por enquanto, a única coisa óbvia são os prejuízos à população, seja àquela que anda de carro, ou a quem precisa de ônibus. #Pensa


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