Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020

Vazio

Manaus anda repleta de vazios, no Centro, da Djalma Batista, na Cachoeirinha... São sinais de que a saúde urbana do entorno não anda bem.


12/09/2020 às 16:05

Quem costuma caminhar pela Avenida Eduardo Ribeiro notará que ela está mais vazia. A agência da Caixa Econômica que ficava na esquina da via com a José Clemente se mudou para a lateral da sede da Caixa, na Praça da Saudade, numa construção recente e toda envidraçada, bem na esquina das avenidas Ramos Ferreira e Epaminondas. A outra esquina, a da Eduardo com a José Clemente, costumava ser, nos anos 1970, um dos endereços comerciais mais elegantes da cidade.

O prédio foi projetado pelo arquiteto Severiano Mário Porto, com toda a sua sofisticação e expertise em arquitetura amazônica bioclimática, ventilação natural e conforto ambiental, para ser uma das filiais, a mais elegante, da Credilar, a Credilar Teatro. Bem em frente ao símbolo da cidade, uma loja grande e arejada, com mercadorias de primeira. Quem ia ao Centro precisava, pelo menos, olhar o que estava nas vitrines para ver as tendências em linha branca, móveis, aparelhos eletrônicos e brinquedos (os carrinhos de miniatura importados eram sensacionais).

Agora, desocupado, se junta a um triste inventário de prédios vazios naquela área. Na mesma quadra, se olharmos pela José Clemente, veremos uma enorme extensão de nadas. Basta juntarmos o prédio da Credilar e o do antigo Citybank, sem uso há décadas e com uma cara triste e decadente. Ali só restaram a antiga e minúscula sede da Federação Espírita e o cartório de registro de imóveis, na outra esquina, mas não se sabe até quando. A Federação já tem, salvo não me engano, outra sede, na Pedro Teixeira. E o cartório talvez seja uma questão de tempo até o lançamento do próximo grande complexo comercial.

Algum desavisado, querendo fazer bonito, há de dizer: “por que não desapropriam para fazer um senhor centro cultural? Já tenho até o nome: Memorial Severiano Porto!”. Mas as propriedades privadas precisam, via de regra, continuar privadas e serem superavitárias, a partir de seu uso; devem honrar suas despesas e não gerar ônus para os cofres públicos. A cidade anda repleta de vazios, no Centro, da Djalma Batista, na Cachoeirinha... São sinais de que a saúde urbana do entorno não anda bem, que é preciso uma tomada de posição para área e não somente para salvar um prédio específico.

Há muito o centro de Manaus precisa ser encarado como o desafio a ser enfrentado pela Prefeitura. Restaurar a Matriz é bacana, ok. Mas devolver a saúde urbana do Centro é muito mais, é supimpa, é cidadão e aponta para um futuro melhor. Propor áreas de renovação de uso, através de uma política de estímulo tributário, de intervenções pontuais exemplares para permitir essa renovação, da valorização da coisa pública e dos serviços públicos – calçada, trânsito, recolhimento de lixo, iluminação, sinalização... Há muito a ser feito, muito mesmo, mas nada impossível ou hercúleo.

É uma questão de querer e de pactuar as soluções com os atores presentes naquelas áreas. E de insistir... Como se disse naquela carta, “em se plantando tudo dá”. Basta ver o que aconteceu com o Largo São Sebastião. Quantos meios de hospedagem, operações de alimentos e bebidas e atividades correlatas surgiram ali? E olha que a área não anda assim tão bem tratada. Imagina se estivesse! Desafio ao próximo prefeito eleito de Manaus. Será que os candidatos se importam com isso? Ou eles querem mesmo é “combater a corrupção e defender as famílias brasileiras”??? A cidade ou o discurso? #Pensa


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