Domingo, 21 de Abril de 2019
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Vazios!

Crônicas de Domingo - 24 de Março de 2019


23/03/2019 às 00:00

Semaninha aperreada essa última heim?! Aliás, com o decorrer dos dias fica até difícil saber qual a semana mais agitada e impactante. Complicado... a gente vai se contaminando pela prisão do Temer, pela não-reforma da previdência para os militares, pela briga do Rodrigo Maia com o Moro, pelas baboseiras que são ditas e não deveriam. No fim, não resolvemos absolutamente nada e acabamos nos desconectando das situações mais próximas, relevantes ao nosso dia a dia e talvez passíveis de solução, justamente por estarem num universo acessível, que é nossa realidade, visível ao nosso olhar, acessível às nossas mãos.

Durante a semana passei pela Getúlio Vargas com a Leonardo Malcher e, como tive que ficar parado no semáforo, acabei olhando aquela ruína alta, que fica bem na esquina e me perguntado: há quanto tempo aquele prédio está assim? Abandonado, coberto por vegetação, enfeando a paisagem, fragilizando o funcionamento da cidade, desperdiçando espaço urbano tão valioso e servindo de esconderijo a tudo que não presta? Creio que presencio aquilo desde criança – já se vão aí mais de 40 anos – e ninguém fez nada!!!

Talvez aquele seja o exato recorte da nossa realidade cotidiana, no que diz respeito ao aspecto urbano de nossa “cidade sorriso”. Ela está meio “banguela” e ninguém faz nada – ou pelo menos parece não fazer nada. Uma edificação abandonada e em ruínas há pelo menos 40 anos não sofreu qualquer tipo de intervenção do poder público? E que ninguém me venha com a desculpa de que é patrimônio particular, porque a dívida de IPTU deve justificar uma desapropriação facilmente – aliás, se bobear, a dívida é maior que o valor do imóvel.

Um passeio pelo centro da cidade descortinará um inventário inacreditável de prédios abandonados, chagas abertas no tecido urbano. Eles estão ali há muito, testemunhas da decadência e da falta de pensamento e planejamento estratégico de cidade. Há construções em desconstrução de tudo que é jeito: algumas com mais de 4 andares e algumas de propriedade do poder público. Imagina! Mas essa “desconstrução”, ou talvez devêssemos chamar de “desmoronamento”, não se limita à área central, onde ela é mais visível e mais dolorosa, pelo valor histórico dos imóveis.

Um passeio pelo metro quadrado mais caro da cidade, o Vieiralves e entorno, revelará facilmente outras feridas que maculam a “nobreza” da área. Alguém lembra do prédio onde funcionava a Fundação Getúlio Vargas, na Avenida Djalma Batista? Sim, em ruínas, não há 40 anos, mas há algum tempo. Na Djalma, principal corredor comercial da zona centro-sul, local privilegiado, repleta de feridinhas, de vazios urbanos. Há outra na esquina com a Darcy Vargas, no complexo viário, a dez ou vinte passos de 3 shoppings, outra no... e por aí vai.

Uma entrada no conjunto Vieiralves propriamente dito, com um olhar mais detido às suas ruas-afluentes, Iça, Jutaí, Madeira... revelará muitos imóveis abandonados, em decomposição. Se a gente mudar de rota para outros bairros, como a Cachoeirinha e a Praça XIV, aí nem se fala. Pois é, a gente se perde em preocupações com tantas coisas que esquece da cidade e que é preciso fazer algo em favor dela. Continuamos a chama-la de “sorriso”, mas ela está meio “banguela”. Alguém pensando no assunto? #Pensa

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