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Vitrine

Artigo de Domingo - 5 de Março de 2017


05/03/2017 às 00:00

Carnaval acabou com um número recorde em termos de mídia: as transmissões dos desfiles das escolas de samba do grupo especial de São Paulo e do Rio de Janeiro registraram a maior audiência dos últimos cinco anos, naquelas capitais. A situação deve ter sido similar em todo o Brasil. Milhões de telespectadores acompanharam, da sexta-feira à segunda-feira gorda, os eventos paulistas e cariocas, no país, e fora dele, pelos canais internacionais.

Uma vitrine midiática privilegiada, pelo tamanho da audiência, pelo tempo de duração (quatro dias seguidos, com transmissões que ultrapassaram as 8 horas de programação diária) e pela abrangência de massa – diferentes estados e países, alcançando faixas socioeconômicas distintas. Quem é que não gostaria de aparecer com seu produto nesse carnaval? De associar a sua marca a algo tão bem sucedido? O evento é tão popular, no melhor significado da palavra, que houve canal fechado de notícias cobrindo carnaval de rua.

Nas duas noites da transmissão paulista, os apresentadores teceram comentários muito favoráveis aos artistas de Parintins, responsáveis pela confecção das alegorias, com destaque ao movimento das esculturas. No Rio, não foi diferente. Primeira noite de carnaval do grupo especial na Sapucaí aconteceu com forte influência da estética indígena! Muitas referências dos narradores a Parintins, menção aos artistas. Até os carros alegóricos cariocas lembravam claramente as criações parintinenses! Houve a aparição de Waldir Santana e Brenna Diana, com direito a dizer quem eles eram e de onde vinham.

E a cereja do bolo foi o samba de amazonenses brilhando na Grande Rio. Pena que disseram o nome dos compositores, mas não revelaram a origem deles. A participação dos artistas de Parintins nos carnavais das duas maiores capitais brasileiras é antiga, mas em 2017 ela teve destaque especial. Quanto custaria colocar o nome do Amazonas, de Parintins ou de Manaus numa exposição de mídia tão privilegiada? Nesse caso específico, não custou absolutamente nada. Estivemos onde muita gente gostaria de estar.

Mas ao contrário de surfarmos nessa onda, não estamos fazendo nem marola, nem banzeiro de canoa sem motor. Sem uma visão da importância desse marketing cultural, não planejamos ações para aproveitar essa boa maré. E pior, ainda discutimos se vale a pena ou não apoiar o folclore e a cultura local. Virou moda dizer que em tempo de crise não dá para fazer festa. Festa? Com toda crise que assola o Rio, em momento algum o carnaval foi ameaçado em sua realização. E os hoteleiros comemoraram uma ocupação de 91% de sua capacidade de carga. Cultura pode ser um investimento, que traz benefícios no turismo, na venda de bens e serviços. Parintins, já está mais do que provado, alcançou seu lugar ao sol na mídia nacional. Pode nos render novos frutos, sem sombra de dúvida. Mas, para isso acontecer, precisamos valorizar a festa e planejar ações que a tornem em produto, tanto o evento, como aquilo que dele pode ser aproveitado. Está na hora da gente reconhecer a força da nossa cultura popular! E fazer algo a respeito, em nosso favor! Do contrário, essa onda passa, e alguém saberá aproveitá-la em nosso lugar! Precisamos ter senso de oportunidade. #Pensa


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