Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

A dura realidade (ou como ver o lado bom das coisas)


24/03/2016 às 15:15

"Victor, seu coração está no limite. Você está com pré-diabetes, esteatose hepática, dislipidemia e com uma pressão sanguínea limítrofe, no limite da normalidade. Se continuasse no seu estilo de vida, em um ano você estaria diabético e hipertenso, e em dez anos teria uma cirrose hepática". Foi com essa porrada da realidade que fui recebido nesta última quinta-feira (9) no retorno com a endocrinologista Caroline Coimbra, que faz parte da equipe da One Clinic que me acompanha no Pronto Pra Casar. As notícias não foram das melhores (talvez não tenha saído tão no lucro quanto achei da última vez), mas a dra. disse que era o que ela esperava pela primeira consulta e conforme os primeiros exames foram chegando.

Vou explicar, soa pior do que realmente é (eu espero): a pré-diabetes é consequência do meu índice de predisposição para a doença - enquanto o normal é 1.8, o meu está 5.3, o que significa que tenho três vezes mais chance de ter diabetes. A esteatose hepática é a clássica gordura no fígado, causada por uma célula de gordura que apresenta um efeito tóxico dentro do órgão. O meu, porém, já apresenta uma lesão muscular. Já a dislipidemia, distúrbio caracterizado pela presença excessiva de colesterol e triglicérides (nível de lipídios associados também à ingestão de carboidratos) no sangue, foi provocada pelo meus triglicerídeos estarem em 434 quando deveriam estar no máximo em 150 e meu colesterol marcar 233 quando deveria ser até 200. Além disso, meu pâncreas está produzindo uma quantidade excessiva de insulina devido à qualidade dos alimentos que estava ingerindo, todos muito ricos em açúcar, responsável por um cansaço físico e mental que dá inicio a um longo ciclo vicioso de comer mais para repor energia.

"Você tem um quadro que reflete o que o teu organismo sofreu com o ganho de peso e o estilo de vida que você levava antes. Porque se você deixasse isso rolar, com certeza teria doenças crônicas", explicou a dra. Caroline. No entanto eu, um eterno e convicto otimista, enxergo com fé a parte boa da consulta: "Tudo isso é tratável, basta uma mudança de hábitos. Você tem total chance de reverter tudo isso". E não parou por aí: em duas semanas, sem seguir uma dieta recomendada nem fazer nenhuma atividade física, apenas vivendo aquela fase de adaptação e aceitação sobre qual já falei, consegui perder 1 kg e 4 cm de barriga! Ufa!

Os elogios dos médicos pelo meu feito só serviram como incentivo. Ainda bem que de qualquer jeito, algumas horas depois, era a vez de conhecer os profissionais da Cia Athletica que vão estar nessa comigo: a nutricionista Ana Consentini, que ficou de montar meu cardápio oficial, e o professor de educação física Diego Pedroza, gestor de musculação das duas unidades da academia em Manaus, que ficará encarregado do meu treino (vamos falar disso amanhã)

Chegando lá, conheci logo a Ana, que me explicou de cara que essas doenças que apresento são causadas principalmente pela má alimentação, sedentarismo e estresse - ou seja, meu dia a dia normal (como era, pelo menos). "Há uma grande diferença entre perder e eliminar o peso. quem perde, volta gradativamente, com as recaídas. e a eliminação, não", disse a nutricionista funcional.

Ela explicou que a nutrição funcional se destaca por oferecer uma dieta equilibrada e personalizada, de acordo com o estilo de vida e preferências de cada pessoa. Para isso, ela conduziu uma entrevista e analisou meus exames para descobrir qual caminho poderíamos seguir com meu novo cardápio. Para mim, é preciso eliminar das refeições os carboidratos simples (pão, pizza, massa) e substituir isso por carboidratos complexos (raízes, como a tapioca que é derivada da macaxeira, banana, aveias e outros alimentos fontes de boa energia).

Atualmente faço 4 refeições ao longo do dia, mas vai passar para 6 vezes ao dia. Ana perguntou toda minha rotina: Come o que e quando? Quem faz comida? Quando come fora, onde é? Como monta o prato? O que gosta de comer? "Não adianta fazer cardápio funcional se você não consegue cumprir por causa da sua realidade. Então precisamos pensar também na praticidade. Só posso colocar no teu plano alimentar o que você gosta de comer. Não posso colocar uma salada ótima mediterrânea se você não for comer, não tem lógica", explicou.

Vou precisar ir ao supermercado e fazer um roteiro por lá diferente do que qualquer um que já fiz antes. Para os lanches, frutas e iogurtes. No jantar, algo self-made em casa, na companhia da noiva. Mas o almoço, sempre num self-service perto do meu trabalho, não tem muito para onde fugir: quando não puder trazer minha lancheira (ha-ha-ha), poderei continuar nos restaurantes, mas reeducado em relação a como monto meu prato.

Vamos ver no que dar, prometo contar mais dessa aventura pela frente. Vai ficar para amanhã também a parte com o Diego Pedroza, que realizou testes de esforço e carga para ver o meu nível de sedentarismo e montar um treino específico para o que eu preciso fortificar e eliminar. Agora deixa eu ir pois estou atrasado para o primeiro treino de funcional!!!


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