Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020

Dia do jornalista na Venezuela submetida ao socialismo

Desde o ano 2013 até agora, 67 jornais deixaram de circular na Venezuela e pelo menos 25 deles fecharam permanentemente. O governo socialista realizou mais de 150 ações de censura à rádios e suspendeu o sinal de 10 estações de televisão estrangeiras


Faz anos que a imprensa venezuelana não tem motivos para comemorar, mas o sábado 27 de junho foi Dia do Jornalista no meu país. Nós jornalistas somos considerados inimigos pela ditadura de Nicolas Maduro. E muitos estamos no exílio por defender a democracia e a liberdade de expressão. Ou simplesmente para não se submeter ao desastre econômico.

É um grande desafio ser jornalista na Venezuela. Carreira da qual me orgulho muito e amo com paixão. Além de enfrentar a censura do governo Maduro para registrar as atrocidades do regime socialista, têm que ser superados obstáculos como a falta internet e a conectividade restrita a 1,1 megabit por segundo, ou a falta energia. Esses obstáculos deixam os profissionais sem condições para divulgar a informação.  Agora até a mobilidade diária  está muito complicada, pela falta de gasolina para sair e realizar o trabalho.

Neste momento, a indústria jornalística da Venezuela está atingida não apenas pelas restrições através de medidas governamentais, mas pela situação econômica. Relatórios divulgados recentemente mostraram um panorama sombrio para meios de comunicação venezuelanos e estrangeiros atuando no país.

De acordo com o Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS), nos primeiros cinco meses do ano foram fechadas 42 rádios, em sete estados. Em muitos casos, eram emissoras de regiões rurais.

O governo venezuelano já bloqueia domínios de vários veículos investigativos, tirou do ar veículos que considera críticos, que são as televisões estrangeiras, e vários programas de rádio foram fechados. Eram alguns que sobravam como refúgio para divulgar informações.

É muito triste. Desde o ano 2013 até agora, 67 jornais deixaram de circular e pelo menos 25 deles fecharam permanentemente. Eu passei por isso, trabalhei no jornal El Nacional que chegou a fazer 75 anos. Foi o último jornal independente, referência e escola de muitos profissionais. El Nacional ficou falido pela pressão governamental e falta de publicidade, sem dinheiro para importar o papel e a tinta que não se produz no pais e sem condições para  pagar um salário razoável para os jornalistas.

O rádio e a televisão não escaparam ilesos de medidas arbitrárias. Desde 2005 a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) realizou cerca de 150 ações de censura e suspendeu o sinal de 10 estações de televisão estrangeiras.

Restrições de acesso à Internet

Desde que o Decreto do Estado de Alarme na Venezuela foi anunciado em 13 de março de 2020 devido à emergência sanitária gerada pela pandemia do COVID-19, as restrições ao acesso à Internet aumentaram devido à precariedade dos serviços e pela falta de energia em todas as regiões, além de bloqueios e ataques a plataformas de mídia e profissionais da imprensa.

Somente entre janeiro e abril de 2020, o IPYS Venezuela registrou 98 casos de violações online. Esse número mostra a exacerbação desses incidentes quando comparado aos dados de 2019 no mesmo período, quando foram contados 58 casos.

Este ano, essa organização realizou uma série de medições que avaliaram as dificuldades de acesso a informações de interesse público em 26 portais informativos e em páginas da web dedicadas à cobertura de dados sobre o Coronavírus na Venezuela, a partir das conexões de provedores públicos e privados, Cantv, Digitel e Movistar.

Também foram realizados testes para determinar a velocidade da internet em 16 estados do país. A conclusão foi que: “A velocidade da internet na Venezuela continua a enfraquecer e prejudicar as liberdades de informação dos cidadãos”.

De acordo com os 215 testes coletados e analisados ​​por essa organização, a velocidade média de navegação na Internet na Venezuela durante março e abril de 2020, a partir de serviços de rede fixa, foi de 1,1 megabit por segundo (MPs). O número mostra que a situação da conectividade no país continua se deteriorando.

As dificuldades aos espaços informativos na internet estão se tornando mais frequentes. Isso ocorre em um país onde o fornecimento de informações da mídia tradicional é cada vez mais escasso, devido à pressão do governo e à crise política e econômica.

Então, exercer o jornalismo é um grande desafio na Venezuela, mas também é como essa informação é divulgada para todos os cidadãos.


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