Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020

Estou de saco cheio da diplomacia!

É preciso romper uma espiral de inércia irresponsável e silêncio cúmplice com a ditadura na Venezuela


Fiquei feliz quando li que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, rebateu as críticas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, à Operação Acolhida em Boa Vista (RR). Segundo Araújo, Maia se baseou em “informações insuficientes e interpretações equivocadas”.

Pompeo foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores na capital de Roraima para visitar instalações brasileiras que recebem a meus irmãos venezuelanos. Segundo Maia, a visita do secretário “não condiz com boa prática diplomática internacional”.

Diante das críticas, Araújo afirmou, em nota oficial, que “o povo brasileiro é solidário com os povos vizinhos e a Operação Acolhida representa essa solidariedade. O povo brasileiro preza pela sua própria segurança, e a persistência - na Venezuela - de um regime aliado ao narcotráfico, terrorismo e crime organizado ameaça permanentemente essa segurança. O povo brasileiro tem apego profundo pela democracia e o regime Maduro trabalha permanentemente para solapar a democracia em toda a América do Sul”.

Amei a posição de Araújo, ainda mais quando ele disse “Não há ‘autonomia e altivez’ em ignorar o sofrimento do povo venezuelano ou em negligenciar a segurança do povo brasileiro. Autonomia e altivez há, sim, em romper uma espiral de inércia irresponsável e silêncio cúmplice, ou de colaboração descarada, a qual, praticada durante 20 anos frente aos crescentes desmandos do regime Chávez-Maduro, contribuiu em muito para esta que é talvez a maior tragédia humanitária já vivida em nossa região”.

Maia, pelo amor de Deus, nós venezuelanos estamos de saco cheio da diplomacia e inércia dos países vizinhos e do mundo, ante a ditadura de Maduro.

Os Estados Unidos da América já doaram 50 milhões de dólares para a Operação Acolhida e o Secretário Mike Pompeo anunciou a doação de mais 30 milhões de dólares para essa Operação. Trata-se de quantia vultosa, tendo em vista que o governo brasileiro já dispendeu 400 milhões de dólares com a mesma operação. Seja o que for, esse dinheiro vai servir para dar abrigo, comida e assistência médica para a diáspora venezuelana. Maia, chega de tanto mimimi...

Direitos humanos

O Ministro das Relações Exteriores Araújo declarou:“Vejo-me também na obrigação de reiterar o disposto no Artigo 4° da Constituição Federal, inciso II, que coloca a ‘prevalência dos direitos humanos’ entre os princípios que devem orientar as relações internacionais do Brasil. Assinalo que, em 16/9, uma missão de verificação do Conselho de Direitos Humanos da ONU (criada com copatrocínio do Brasil) apresentou relatório no qual estima que Nicolás Maduro e ministros do seu regime cometeram crimes de lesa-humanidade ao praticarem sistematicamente a tortura, assassinatos, prisões arbitrárias e outras atrocidades”.

Fazer prevalecer os direitos humanos, como estipula a Constituição, requer que o Brasil continue a pronunciar-se, mais do que nunca, para expor o sofrimento dos venezuelanos à atenção mundial e trabalhar em favor da redemocratização da Venezuela, único caminho para o retorno do respeito aos direitos humanos no meu país.

“Buscar a paz não significa acovardar-se diante de tiranos e criminosos. A independência nacional não significa rejeitar parcerias que nos ajudem a defender nossos interesses mais urgentes e nossos valores mais caros. Promover a integração latino-americana não significa facilitar a integração dos cartéis da droga. A não-interferência não significa deixar os criminosos agirem sem serem incomodados”, salientou o chanceler.

O povo venezuelano agradece sua iniciativa, ministro Araújo. Fiquem todos ligados: “o legado da tradição diplomática brasileira não inclui a indiferença aos nossos vizinhos. No caso presente da Venezuela, uma tal indiferença seria imoral e colocaria em risco a segurança dos brasileiros”.


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